O Mercado Bitcoin sofreu um incidente de segurança na madrugada desta segunda-feira (2) e teve cerca de US$ 49 milhões desviados de contas de clientes. Até o fim da tarde, a maior corretora de criptomoedas do Brasil havia conseguido bloquear US$ 11,2 milhões com apoio da comunidade cripto, segundo apuração do Valor Econômico.

O valor agora informado é maior que o do primeiro rastreio, que apontava cerca de US$ 40 milhões. A empresa disse ter identificado outros valores passíveis de bloqueio e afirmou seguir trabalhando para ampliar a recuperação dos ativos.

Quem ajudou a bloquear

A corretora informou ter recebido apoio de emissores de criptoativos e de empresas especializadas em recuperação de ativos: Tether, Circle, BRL1, Paxos e Chainalysis, que "atuaram rapidamente em conjunto com o Mercado Bitcoin".

A plataforma afirmou ter acionado seus protocolos de governança e notificado as autoridades competentes. Por segurança, decidiu manter a plataforma fora do ar até ter condições de retomar saques e depósitos. A empresa assegurou "estar tomando todas as medidas necessárias para preservar os ativos de seus clientes".

Alerta contra golpes

O Mercado Bitcoin alertou os clientes para ficarem atentos a possíveis golpes e afirmou que nunca pede senha, código de verificação ou frase de recuperação, nem oferece reembolsos por links, WhatsApp ou ligação. Informações oficiais estão disponíveis apenas no aplicativo, no site e nos perfis da companhia.

O contexto: a onda de ataques desde o roubo da Binance

O episódio ocorre quatro dias depois de a Binance ser alvo do maior roubo já registrado no setor: US$ 6,3 bilhões em ativos digitais, em 29 de outubro. Segundo as investigações, o ataque pode ter começado pelo laptop de um dos engenheiros de desenvolvimento e operações da companhia — o dispositivo teria sido comprometido e usado para "enviar transações de saque não autorizadas" antes de os recursos serem roubados das carteiras dos clientes.