O mercado futuro acordou em ebulição na manhã desta segunda-feira (26), depois que o resultado do segundo turno das eleições presidenciais contrariou as projeções. Diante disso, analistas saíram a campo com apostas divergentes para o mercado doméstico.
Quem vê oportunidade
Analistas da Gavekal Research avaliam que este é um bom momento para investidores comprarem ações que ficaram baratas. A tese se apoia na leitura de que a base dos ativos brasileiros continua sólida, apesar do ajuste de preços. Vale lembrar que, desde janeiro, a alta acumulada do Ibovespa era de quase 30% antes do pregão desta segunda-feira.
Quem pede cautela
O JPMorgan cortou sua recomendação para o real e para os juros brasileiros logo durante a manhã. "Nossa elevação da recomendação para o Brasil a overweight, em 5 de outubro, tinha como premissa uma mudança na condução das políticas públicas. No entanto, diante do resultado eleitoral, agora parece pouco provável que a política econômica sofra alterações significativas daqui em diante", escreveram os analistas.
Na mesma linha, a Genial Investimentos não recomenda aumentar a exposição a ativos brasileiros. A corretora destaca preferência por papéis que possam atravessar melhor um cenário de juros altos, como os dos setores de energia elétrica, saneamento e exportação.
"Na direção oposta, varejo, construção, empresas menores (small caps) e empresas alavancadas tendem a sofrer mais, ao mesmo tempo com crédito caro, consumo mais fraco e taxa de desconto mais alta", escrevem os analistas da Genial.
Como usar isso
Duas leituras opostas no mesmo dia não se anulam: elas descrevem horizontes diferentes. Quem olha valuation e ciclo de juros enxerga prêmio; quem olha o risco fiscal de médio prazo prefere esperar sinalização concreta antes de aumentar posição. O que o investidor pode extrair é o critério — setor, sensibilidade a juros e dependência de política pública —, não a conclusão.
Imagem: Investidor10.