O Ibovespa fechou em queda de 13% nesta segunda-feira (26), no menor nível em dois meses, no primeiro pregão após a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Foi o pior desempenho diário do índice em seis anos. O dólar saltou 8% e encerrou a R$ 5,40.

A sessão começou com o acionamento do circuit breaker, que interrompeu as negociações por cerca de 30 minutos, e terminou com o índice devolvendo boa parte dos ganhos acumulados desde o primeiro turno.

O que aconteceu na sessão

O mercado estava majoritariamente posicionado para uma vitória de Flávio Bolsonaro (PL), visto como mais alinhado a uma agenda de ajuste fiscal. Com a virada nas urnas, o ajuste de posições foi generalizado e atingiu principalmente as empresas mais sensíveis a juros e ao consumo doméstico.

O movimento se deu em três frentes ao mesmo tempo: queda forte da bolsa, disparada do dólar e abertura da curva de juros futuros.

A leitura do mercado

"O descompasso de expectativas do mercado em relação ao resultado das urnas resultou em um movimento generalizado de liquidação na bolsa, evidenciando a cautela dos investidores em relação às futuras diretrizes econômicas e fiscais do país", avaliou Rebecca Nossig, estrategista de ações da Nomad.

Lá fora, o oposto

Enquanto o Brasil vivia um dia de aversão ao risco, os índices de Wall Street encerraram em alta, embalados pelo pedido de IPO da Anthropic e pelo alívio nos preços do petróleo. É o retrato de um dia em que o risco foi localizado: o problema precificado foi o fiscal brasileiro, não o apetite global por risco.

Foto: Rafael Matsunaga, via Wikimedia Commons (CC BY 2.0).

Esta matéria tem caráter informativo e não constitui recomendação de investimento.