As taxas dos DIs fecharam a segunda-feira (26) pós-eleição com fortes altas, superiores a 250 pontos-base em alguns contratos, após o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) superar o senador Flávio Bolsonaro (PL) na disputa pelo Planalto, surpreendendo o mercado.
A disparada dos prêmios na curva reflete tanto um ajuste em relação às baixas vistas após o primeiro turno, quando Flávio estava à frente de Lula, quanto as preocupações dos investidores com o futuro da política fiscal.
Os números do fechamento
- DI para janeiro de 2028: 14,8%, alta de 194 pontos-base ante o ajuste de 12,859% da sexta-feira;
- DI para janeiro de 2031: 15,185%, elevação de 254 pontos-base ante 12,642%;
- Máxima intradia do DI 2031: 15,940%, alta de 330 pontos-base, atingida às 11h02, após uma paralisação nos negócios.
O início da sessão foi marcado por paralisações nos negócios com DIs depois que as taxas de vários vencimentos atingiram os limites de alta. A B3 anunciou a expansão desses limites ainda pela manhã, mantendo pausas para que o mercado encontrasse preços de equilíbrio.
Acima do nível pré-primeiro turno
A disparada desta segunda-feira colocou as taxas inclusive acima dos patamares vistos antes do primeiro turno, o que sugere que o mercado não apenas reincorporou à curva os prêmios perdidos anteriormente como acrescentou novos prêmios.
O DI para janeiro de 2031, que encerrou a sessão regular em 15,185%, estava em 13,99% no dia 2 de outubro, antes do primeiro turno.
Por que a ponta longa reage mais
Com Flávio no Planalto, o mercado enxergava chances maiores de controle das contas públicas — ainda que nem o candidato nem seus assessores econômicos tenham apresentado, durante a campanha, propostas concretas para reduzir gastos. Como Lula venceu, os prêmios voltaram a ser incorporados, em especial nos contratos de longo prazo, mais suscetíveis à política fiscal.