O iFood protocolou na quarta-feira (4) uma ação judicial contra a concorrente Keeta na 1ª Vara Empresarial e de Conflitos de Arbitragem de São Paulo. A plataforma brasileira acusa a chinesa de praticar preços predatórios, com operação deficitária financiada por recursos de sua matriz, a Meituan, para atrair clientes e sufocar a concorrência.

Preços predatórios e "aliciamento ilícito"

O iFood pede uma perícia econômico-financeira para medir o volume de subsídios oferecidos pela rival para manter os preços artificialmente baixos, prática que classifica como "concorrência desleal". A empresa também acusa a Keeta de "aliciamento ilícito" de restaurantes que mantêm contratos de exclusividade, com incentivos para a quebra desses acordos e acesso a dados comerciais sigilosos. Segundo o iFood, a concorrente criou uma equipe dedicada, com alguns de seus ex-funcionários, para abordar esses estabelecimentos.

A "bolha de cupons"

Na ação, o iFood afirma que os subsídios sustentam cupons e descontos que considera irracionais, estimulando "uma falsa demanda baseada em promoções que não se sustentam no longo prazo". A consequência prevista pela empresa é uma "bolha de cupons" que tenderia a estourar quando os aportes fossem reduzidos.

"O que se discute na ação não é a existência de competição, mas qual resposta daremos aos restaurantes que, hoje, estão investindo na expansão de suas operações por acreditarem em uma demanda fictícia que deixará de existir quando os subsídios forem racionalizados, e como lidaremos com os entregadores quando a demanda pelo seu trabalho e a sua renda diminuírem", diz Lucas Pittioni, vice-presidente jurídico, de Políticas Públicas e M&A do iFood.

O executivo afirma que a participação de mercado conquistada pela Keeta é "fictícia", porque depende dos subsídios.