A Vista Capital, gestora cofundada por João Landau, decidiu reduzir o risco de sua carteira a um nível próximo de zero na virada de outubro para novembro. A decisão veio após um ano em que todas as principais posições do fundo ficaram no negativo, algo inédito nos 12 anos de história da casa.
Em carta distribuída a cotistas nesta quarta-feira (4), a gestora afirma que vai usar os próximos meses para revisar as teses de investimento e o próprio modelo de gestão.
O tamanho da perda
O Vista Multiestratégia, carro-chefe da casa, acumula queda de 45,9% em 2026 até outubro. Só no mês passado, o recuo foi de 15,4%. No mesmo período, o CDI rendeu 11,7%.
Os outros fundos da gestora também terminaram outubro no vermelho: o Vista Macro Absoluto perde 33,6% no ano e o Vista Hedge, 20,8%. Desde o lançamento, em janeiro de 2015, o Multiestratégia havia fechado apenas um ano negativo, em 2024.
A eleição no meio do caminho
A carta chega pouco mais de uma semana depois da reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. No primeiro pregão após o segundo turno, o Ibovespa caiu 13,88%, com o primeiro circuit breaker desde 2020. Os fundos posicionados para uma alternância de governo foram os mais atingidos.
Landau esteve entre os gestores que apostaram publicamente na derrota do petista. Em julho, durante a Expert XP, afirmou que "apesar das dificuldades do momento, o Lula está para perder essa eleição".
Na avaliação da casa, a aposta na abstenção não se confirmou: a série histórica indicava que a ausência às urnas prejudicaria a esquerda, mas o comparecimento subiu de forma relevante no segundo turno. As proteções também não funcionaram como planejado. A Petrobras, em que a Vista estava vendida, subiu quase em linha com o petróleo, e as posições em câmbio e em opções de Ibovespa montadas entre os turnos não cumpriram seu papel.