A M. Dias Branco (MDIA3), fabricante de massas e biscoitos, deve apresentar resultados mais fracos no terceiro trimestre de 2026, pressionada pela inflação dos custos de matérias-primas, pela desaceleração da demanda em algumas categorias e por despesas operacionais elevadas. A avaliação é da XP Investimentos, em relatório de prévia divulgado na sexta-feira (23).
A corretora reduziu o preço-alvo das ações para o fim de 2027, de R$ 25,50 para R$ 21,40, e reiterou a recomendação neutra.
As projeções da XP para o trimestre
- Receita líquida: R$ 2,75 bilhões (-1% em um ano);
- Volume de vendas: 489 mil toneladas (+1%);
- Preço médio por quilo: R$ 5,60 (-2%);
- Lucro bruto: R$ 864 milhões (-4%);
- Ebitda: R$ 265 milhões (-17%), com margem caindo de 11,4% para 9,7%;
- Lucro líquido: R$ 170 milhões (-22%), com margem de 7,8% para 6,2%.
Segundo os analistas Leonardo Alencar, Leonardo Paiva e Arthur Devite, embora os resultados devam apresentar alguma recuperação em relação ao segundo trimestre, a inflação dos custos de matérias-primas provavelmente superou o crescimento da receita no período.
O cenário também incorpora despesas comerciais, administrativas e gerais mais elevadas, especialmente com frete, logística, diesel e mão de obra, além de menor diluição dos custos fixos. Outro ponto de atenção é a desaceleração da demanda por biscoitos, categoria que vinha se destacando nos trimestres anteriores, e a migração do mix para itens de menor valor agregado.
Revisão de estimativas
A revisão considera um ambiente macroeconômico mais desafiador, com menor renda disponível das famílias e varejistas mais cautelosos. A XP também incorporou uma curva mais elevada de custos de commodities, o que pode dificultar a recuperação das margens mesmo com volumes em alta.
As projeções estão abaixo do consenso. Caso se confirmem, o resultado pode abrir espaço para novas revisões negativas das expectativas de lucro da companhia, cujas projeções já vêm sendo reduzidas ao longo do ano.