A Fitch Ratings rebaixou as notas de crédito (ratings) da Raízen (RAIZ4) para a categoria de default restrito, que equivale a nível de calote e indica inadimplência em determinadas obrigações financeiras. O movimento ocorreu na quinta-feira (22), após a Justiça homologar o plano de recuperação extrajudicial do grupo.
A agência cortou as classificações de longo prazo da companhia e da subsidiária Raízen Energia de "C" para "RD", tanto em moeda local quanto estrangeira. Na escala nacional, os ratings passaram de "C(bra)" para "RD(bra)".
Por que a agência considera calote
O plano aprovado prevê a renegociação de cerca de R$ 61,4 bilhões em dívidas. Na avaliação da Fitch, a aprovação configura inadimplência porque altera as condições originalmente contratadas com os credores.
Com a implementação do plano, os pagamentos das dívidas abrangidas ficam suspensos e os juros são capitalizados até a conclusão da reestruturação — inclusive para credores que não aceitaram a proposta.
Reforço de capital em paralelo
Enquanto renegocia obrigações, a Raízen tenta fortalecer a estrutura de capital. Na quarta-feira (21), anunciou que pretende realizar um aumento de capital de até R$ 3,5 bilhões, por meio da emissão de novas ações ordinárias e preferenciais, com subscrição mínima de 14 bilhões de papéis a R$ 0,25 cada.
A operação depende de aprovação dos acionistas. Para quem já é acionista, ela traz risco de diluição caso não exerça os direitos de preferência.
Separação dos negócios
Além da reestruturação financeira, a empresa trabalha para separar as operações em duas frentes: Raízen Energia (açúcar, etanol e bioenergia) e Raízen Combustíveis (distribuição). Acionistas da Raízen Energia aprovaram o pedido de listagem da subsidiária no Nível 2 de governança da B3, e a CVM autorizou a conversão do registro da empresa de categoria B para A, o que permite ofertas públicas de ações.