A Gerdau (GGBR4) encerrou o terceiro trimestre de 2026 com lucro líquido ajustado de R$ 1,523 bilhão, alta de 39,7% em relação ao mesmo período do ano passado e de 3,9% na comparação com o trimestre anterior.

O número, porém, ficou abaixo do consenso de mercado: analistas esperavam, em média, lucro de R$ 1,77 bilhão, segundo dados compilados pela LSEG.

Os números do trimestre

  • Lucro líquido ajustado: R$ 1,523 bilhão (+39,7% em um ano);
  • Receita líquida: R$ 18,7 bilhões (+2,9%), ante expectativa média de R$ 18,6 bilhões;
  • Ebitda ajustado: R$ 3,771 bilhões (+37,8%), contra esperado de R$ 3,7 bilhões;
  • Margem Ebitda ajustada: 20,2%, avanço de 5 pontos percentuais em um ano;
  • Vendas de aço: 2,914 milhões de toneladas (-5,6% em um ano).

América do Norte sustenta o resultado

O desempenho foi sustentado pela evolução dos preços realizados na América do Norte, que mais do que compensou o aumento de custos, enquanto os volumes vendidos ficaram praticamente estáveis na comparação trimestral.

Na região, o Ebitda ajustado somou R$ 2,91 bilhões, alta anual de 60%, e respondeu por cerca de 76% do Ebitda consolidado. A margem subiu de 19,8% para 27,7%. A operação foi beneficiada pela dinâmica de preços, parcialmente compensada pela desvalorização do dólar (-5,7%).

No Brasil, o Ebitda ajustado somou R$ 741 milhões, queda de 2,8% sobre o terceiro trimestre de 2025, mas avanço de 5,1% na comparação trimestral, com margem passando de 9,9% para 10,7%.

A companhia destacou a melhora do mix de vendas, com menor participação de exportações sobre as vendas totais — o que, por um lado, contribuiu para maiores custos de produção e, por outro, trouxe preço realizado mais elevado.

Como ler o balanço

A Gerdau abre a temporada de resultados do 3T26 e mostra o padrão que deve se repetir: operação externa forte, compensando um mercado doméstico mais fraco. Para o investidor, o ponto de atenção é a diferença entre lucro acima do ano anterior e abaixo do que o mercado projetava — em balanços, é a surpresa que move preço, não o crescimento em si.