A Vale não deve pagar dividendos extraordinários neste ano, afirmou o vice-presidente executivo de Finanças e Relações com Investidores da mineradora, Marcelo Bacci, na teleconferência de resultados do terceiro trimestre, na sexta-feira (30). Segundo o executivo, o caixa extra será preservado para enfrentar um cenário geopolítico incerto, e os programas de recompra de ações aparecem como a alternativa mais atraente de alocação de capital.
A questão de dividendos extraordinários, para este ano, não deve acontecer, não tanto pela performance do ano e geração de caixa que vem muito bem, mas por todas as incertezas geopolíticas para o ano que vem.
A gente prefere estar um pouco no lado conservador, conservar um pouco mais de caixa, manter a dívida mais baixa para poder lidar com cenários muito incertos.
No terceiro trimestre, a Vale reportou lucro líquido de US$ 1,255 bilhão, queda de 53% na comparação anual, pressionada por preços realizados de minério de ferro mais baixos, pela valorização do real e por despesas maiores com frete e combustível. O Ebitda ajustado somou US$ 3,327 bilhões, recuo de 24% em relação ao mesmo período de 2025.
Recompra como prioridade
Bacci afirmou que considera as ações da companhia descontadas e que vê espaço para recompras nos próximos meses, sem antecipar volume nem momento.
A gente acha que vai ter oportunidades nos próximos meses de fazer recompras, mas a gente não pode antecipar, nem volume, nem timing.
O endividamento é o limite prático para proventos extraordinários: a dívida líquida expandida da mineradora está em , acima do nível que a companhia considera necessário para liberar esse tipo de pagamento.