A Vibra (VBBR3), maior distribuidora de combustíveis do país, teve lucro líquido ajustado de R$ 2,4 bilhões no terceiro trimestre de 2026, mais de quatro vezes o resultado de igual período do ano passado. O número ficou acima do que projetava o mercado, que esperava R$ 1,8 bilhão, segundo dados compilados pela LSEG.
O resultado operacional medido pelo Ebitda ajustado somou R$ 4,3 bilhões, mais que o dobro dos R$ 1,8 bilhão registrados entre julho e setembro de 2025. A média das estimativas apontava R$ 3,8 bilhões.
O que puxou o trimestre
Dois movimentos explicam boa parte do salto. A companhia elevou o volume de vendas em 4% e ampliou a receita líquida ajustada em 17%, para R$ 56,9 bilhões — ainda que o faturamento tenha vindo um pouco abaixo dos R$ 57,9 bilhões esperados pelo mercado. Na outra ponta, o resultado financeiro negativo caiu 45%, para R$ 359 milhões, aliviando a linha que costuma pesar no lucro de distribuidoras em períodos de juros altos.
O lucro ajustado ficou 33% acima do consenso de analistas, e o Ebitda superou a projeção em cerca de 13%.
Rede e contratos crescem
Entre julho e o fim de setembro, a Vibra acrescentou 210 novos postos à sua rede no país e assinou 99 novos contratos no segmento corporativo. A expansão da malha de revenda e a carteira de clientes empresariais são as duas frentes que a companhia usa para diluir custos fixos e sustentar volume em um setor de margens apertadas.
Dívida recua e alavancagem fica em 1 vez
A empresa encerrou setembro com dívida líquida de R$ 14,4 bilhões, queda de 23% na comparação anual, e alavancagem operacional de 1 vez. O recuo da dívida e a queda da despesa financeira caminham juntos: menos juros a pagar significa mais espaço para o lucro crescer mesmo sem um salto proporcional no volume vendido.
O desempenho do terceiro trimestre devolve à Vibra um patamar de rentabilidade que ela não via desde antes da alta dos juros, e chega em um momento em que o setor de combustíveis discute o efeito da política de preços da Petrobras sobre as margens da revenda.