As bolsas de Nova York fecharam em alta nesta terça-feira (27), puxadas por mais uma sessão de força do setor de tecnologia e, em especial, das fabricantes de semicondutores. O Dow Jones subiu 0,03%, a 52.377,57 pontos; o S&P 500 ganhou 0,60%, a 7.722,60 pontos; e o Nasdaq avançou 1,18%, a 26.477,81 pontos. O Russell 2000, termômetro das empresas menores, subiu 1,2%, a 2.818,87 pontos.
A sessão também foi marcada pelo alívio nos preços do petróleo e pela expectativa em torno da decisão de política monetária do Federal Reserve (Fed), marcada para esta quarta-feira (28). Quase metade das empresas do S&P 500 já divulgou seus balanços do terceiro trimestre e, dessas, 83% apresentaram resultados acima do esperado, segundo dados da LSEG.
O rali dos chips veio do IPO da Anthropic
O gatilho da alta foi a leitura de que a abertura de capital da Anthropic — que protocolou seu pedido de IPO nos Estados Unidos — pode destravar uma nova rodada de investimentos em infraestrutura de inteligência artificial. O entusiasmo sustentou as ações de chips pela terceira sessão consecutiva.
- Broadcom: subiu 4% após um consórcio de bancos — entre eles Bank of America, Citi e Morgan Stanley — e a gestora Blackstone anunciarem um financiamento de US$ 63 bilhões para que a Anthropic compre tecnologia da companhia.
- AMD: avançou 5,4%, na esteira do movimento.
- Micron: ganhou mais de 2%.
O índice Philadelphia SE Semiconductor, referência do setor, está mais de 20% abaixo de sua máxima histórica de fechamento, registrada em 22 de junho, mas acumula alta de 62,1% no ano — contra 12,8% do S&P 500 no mesmo período.
"Se o restante da temporada de resultados for tão bom quanto começou, provavelmente veremos uma forte recuperação no setor", afirmou Mobeen Tahir, analista da WisdomTree.
Meta e Boeing nas pontas opostas
Do lado negativo, a Boeing desabou 10% após reportar um prejuízo maior do que o previsto no balanço do último trimestre. A Meta, que elevou sua maior captação de recursos de capital de todos os tempos para US$ 97,5 bilhões para financiar a expansão em IA, também fechou em queda.
Na ponta positiva, a JetBlue saltou 19% mesmo com perdas acima do esperado no terceiro trimestre, depois de sinalizar margens melhores no quarto trimestre. A General Motors subiu 5,57% no dia em que anunciou a transferência de sua listagem da Nyse para a Nasdaq.
Petróleo cede e energia fica para trás
Dos 11 setores do S&P 500, tecnologia liderou os ganhos e energia registrou a maior queda percentual, pressionada pelo recuo do petróleo. O WTI para entrega em dezembro fechou em baixa de 1,83%, a US$ 99,90 o barril.
O alívio nas cotações veio após informações de que o líder supremo do Irã, Mojtaba Khamenei, e o chefe de segurança nacional do país, Mohsen Rezaei, discutiram as condições de Teerã para encerrar a guerra no Oriente Médio — movimento que também ajudou a sustentar o apetite por risco em Nova York.
O que o Fed decide nesta quarta-feira
O Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC) encerra nesta quarta-feira sua penúltima reunião do ano. A taxa dos Fed Funds está hoje na faixa de 3,75% a 4,00%, depois da alta promovida em setembro, e a expectativa dominante é de manutenção: os mercados de previsão apontavam entre 90% e 94% de chance de pausa, segundo a Folha e as plataformas Kalshi e Polymarket.
Esta reunião não traz o Summary of Economic Projections, o quadro de projeções dos dirigentes — a próxima atualização está marcada para 9 de dezembro. O núcleo do PCE, a medida de inflação preferida do Fed, e a primeira leitura do PIB do terceiro trimestre saem na quinta-feira (29).
Para o investidor brasileiro, a decisão define o tom do dólar no curto prazo e chega em um momento delicado: o Ibovespa caiu 0,51% nesta terça, aos 175.710,05 pontos, ainda repercutindo a reeleição de Lula. A Selic está em 13,75% e o Copom se reúne em 4 de novembro, com os mercados de previsão atribuindo cerca de 69% de chance de manutenção da taxa.
O que fica no radar
- Bancos centrais na fila: além do Fed, o Banco do Canadá decide nesta quarta e o Banco Central Europeu, na quinta-feira.
- Gastos com IA: a discussão sobre a sustentabilidade dos investimentos financiados por dívida no setor segue no centro do debate, com o aumento dos custos de empréstimo.
- Descasamento: o humor externo melhorou, mas o mercado brasileiro segue dependente de sinalizações fiscais domésticas antes de reprecificar juros e câmbio.
Fonte: InfoMoney/Estadão Conteúdo, Reuters, Valor Econômico e CNBC (fechamento de 27 de outubro de 2026).
Foto: Arild Vågen, via Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0).
Esta matéria tem caráter informativo e não constitui recomendação de investimento.