A Amundi, maior gestora de ativos da Europa, lançou uma classe de cotas tokenizada do seu fundo de índice de ações STOXX Europe 600 na rede Ethereum. O anúncio foi feito nesta quinta-feira (5) e marca a primeira vez que a casa leva a tokenização para além dos fundos de caixa.

Como funciona

A classe foi emitida na blockchain pública Ethereum em parceria com a CACEIS, empresa europeia de serviços de ativos que forneceu a infraestrutura de tokenização. O fundo continua disponível pelos canais de investimento tradicionais. A cota em blockchain é uma porta de entrada a mais.

O índice replicado reúne 600 empresas de grande, média e pequena capitalização de mercados desenvolvidos da Europa. É uma exposição ampla de renda variável, do tipo usado como bloco de montagem na alocação de carteiras.

O primeiro passo foi o fundo de caixa

A iniciativa não surge do nada. Em novembro de 2025, a Amundi lançou sua primeira classe tokenizada de um fundo de money market, também desenvolvida com a CACEIS sobre a Ethereum. Depois vieram a assinatura via stablecoins e uma série de parcerias com empresas e instituições financeiras para testar aplicações de contabilidade distribuída.

Segundo a gestora, a nova classe deve servir de base para uma gama mais ampla de fundos tokenizados voltados a clientes institucionais e plataformas digitais. A empresa cita ganhos de acessibilidade, liquidação mais rápida, automação de processos e transparência.

A Europa corre atrás

O movimento acontece num momento em que o setor financeiro europeu pressiona por regras mais rápidas. Em abril, uma coalizão de 39 empresas e entidades alertou que a União Europeia corre o risco de ficar atrás dos Estados Unidos na financeirização tokenizada e pediu elegibilidade de ativos mais ampla, limites de volume maiores e o fim das restrições de prazo das licenças do regime-piloto de tecnologias de registro distribuído do bloco.