A Bitfarms, mineradora de bitcoin que adotou o nome Keel Infrastructure Corp em abril, vendeu todos os seus 2.520 bitcoins no terceiro trimestre de 2026 por cerca de US$ 192 milhões. A companhia informou nesta quinta-feira (5) que, daqui em diante, toda a produção das operações de Quebec, no Canadá, será vendida diariamente.

A decisão encerra a estratégia de acumular moedas no balanço, adotada por boa parte do setor nos últimos anos, e troca a exposição ao preço do bitcoin por caixa imediato para financiar expansão.

Um movimento do setor inteiro

A Bitfarms não está sozinha. Na quarta-feira (4), a Riot revelou a venda de 8.962 bitcoins e a Hut 8, de outras 3.102 moedas no último trimestre. Somadas, as três operações passam de 12 mil bitcoins, num sinal de que as mineradoras de capital aberto estão convertendo reservas em recursos para novos projetos.

Companhias que antes vendiam parte da produção para cobrir custos de energia agora direcionam a mesma infraestrutura para computação de alto desempenho e data centers voltados à inteligência artificial, onde as margens por megawatt tendem a ser maiores que na mineração.

Receita menor no trimestre

A receita da Bitfarms no trimestre caiu para US$ 28 milhões, pressionada pela queda do preço médio do bitcoin no período e pela interrupção de operações nos Estados Unidos. A venda diária da produção reduz a volatilidade no balanço e elimina a exposição da tesouraria às oscilações da moeda.

O presidente-executivo Ben Gagnon afirmou que a oferta de energia está se tornando cada vez mais escassa, mas que os projetos de energia da companhia para 2027 e 2028 estão mais avançados e próximos do prazo de entrega.

O que o mercado espera

O setor acompanha agora o relatório da Mara Holdings, previsto para a próxima segunda-feira, para saber se a empresa também reduziu a posição em bitcoin. Um resultado semelhante reforçaria a leitura de que a fase de tesourarias cheias de moedas digitais ficou para trás.