A corretora brasileira Mercado Bitcoin informou que vai começar a restaurar o acesso às contas de clientes na segunda-feira (9), dez dias depois do ataque hacker que atingiu a empresa. Analistas de blockchain estimaram em mais de US$ 46 milhões o valor dos ativos desviados.

Nesta primeira etapa, os clientes poderão entrar pelo site para consultar saldos, extratos, posições e investimentos. Transferências, saques e negociação ficam para fases posteriores, condicionados a testes de segurança independentes, segundo nota enviada ao Cointelegraph.

Recompras e fundos congelados

A empresa afirmou que vai usar recursos próprios para repor os ativos afetados pelo incidente. Segundo a corretora, mais de US$ 15 milhões dos fundos roubados já foram congelados com apoio de outros participantes do setor.

"Nossa mesa de operações está se preparando para iniciar as recompras necessárias nos mercados doméstico e internacional."

Sobre a liquidez, o Mercado Bitcoin disse contar com posição de caixa reforçada, incluindo um aporte de US$ 20 milhões da Tether, emissora da stablecoin USDT, para sustentar a expansão operacional.

Como foi o ataque

A atualização vem após a corretora confirmar, no início da semana, uma invasão que permitiu a atacantes transferir fundos das carteiras quentes (hot wallets) da empresa e de endereços de depósito de clientes por meio de transferências comuns.

O Mercado Bitcoin é uma das corretoras mais antigas do país e opera desde 2013. A paralisação de saques e negociações colocou sob pressão a confiança dos usuários, justamente num período em que o mercado brasileiro de cripto passa por reorganização regulatória e por um encolhimento no número de casas autorizadas a operar.

Um setor sob ataque

O incidente se soma a uma sequência de invasões que atingiu grandes nomes do setor neste ano, como Binance, Bybit e Bitget. A Binance, maior corretora global, sofreu um roubo estimado em US$ 6,3 bilhões, cujos desdobramentos ainda mobilizam o mercado.

O episódio também reacendeu a discussão sobre padrões de custódia. Concorrentes passaram a detalhar publicamente seus controles internos, caso da Coinbase, que afirmou manter mais de 99% dos ativos de clientes em carteiras frias, sem conexão com a internet.

Fonte: Cointelegraph.

Foto: Wagner Tamanaha, via Wikimedia Commons (CC BY-SA 2.0).

Esta matéria tem caráter informativo e não constitui recomendação de investimento.