Duas das maiores mineradoras de bitcoin com ações em bolsa informaram nesta quarta-feira (4) vendas pesadas de suas reservas no terceiro trimestre de 2026. A Riot Platforms vendeu 8.962 bitcoins no período e a Hut 8 se desfez de 3.102 moedas, segundo documentos enviados à SEC e dados compilados pelo Bitcoin Treasuries. As duas dizem que o dinheiro vai para a expansão de data centers voltados à inteligência artificial.
Somadas, as vendas passam de 12 mil bitcoins em um único trimestre — um giro de portfólio que muda o perfil dessas empresas: de tesourarias que acumulavam a moeda para operadoras de infraestrutura que a usam como fonte de caixa.
Riot: da 12ª para a 33ª posição
- Bitcoins vendidos no 3T26: 8.962
- Redução da exposição: 78,8%
- Reserva no início do ano: 19.368 BTC
- Reserva atual: 2.418 BTC (−87,5%)
- Total vendido em 2026: 16.950 BTC
- Bitcoins minerados no trimestre: 1.637 (média de 17,8 por dia)
- Custo de mineração de 1 BTC: US$ 39.265
A maior das quatro vendas do ano ocorreu justamente no terceiro trimestre. Com isso, a Riot caiu da 12ª colocação entre as empresas com mais bitcoins em caixa — posição que ocupava entre a Tesla e a Block — para a 33ª. A companhia afirma que os recursos financiam a expansão de seus data centers e o pagamento de dívidas.
Hut 8: venda para recomprar ações
- Bitcoins vendidos no 3T26: 3.102
- Redução da exposição: 33,3%
- Reserva no início do ano: 10.278 BTC
- Reserva atual: 6.212 BTC
A Hut 8 fez duas vendas no ano, e a maior também foi no terceiro trimestre. O CEO Asher Genoot ligou a operação à construção de data centers e às recompras de ações.
"A confiança dos parceiros aumentou, com o inquilino de Beacon Point dobrando a capacidade contratada no campus, e um consórcio de credores comprometeu mais de US$ 1 bilhão em crédito para o crescimento futuro", disse. "Além disso, nossos acionistas agora detêm uma participação maior em uma plataforma em expansão, após recompras de ações financiadas com bitcoins do nosso balanço patrimonial."
Por que as mineradoras estão vendendo
O movimento tem duas explicações que se somam. A primeira é de mercado: o bitcoin passou boa parte do segundo semestre em queda e operava perto de US$ 78 mil nesta quarta, bem abaixo das máximas do ano, o que reduz o valor da reserva e a margem de quem minera. A segunda é estratégica: a corrida de data centers para inteligência artificial oferece contratos de longo prazo e receita menos volátil que a mineração, e a infraestrutura de energia que as mineradoras já construíram é justamente o que essas operações precisam.
Vender bitcoin para financiar essa transição troca um ativo volátil por capacidade de geração de caixa — mas também reduz a exposição à alta da moeda, que era o argumento original de quem investia nessas ações.
O que vem por aí
O mercado espera agora os resultados da Mara Holdings, que tem 35.577 bitcoins em caixa e divulga o balanço na próxima segunda-feira (9). Análises on-chain sugerem que a empresa também vendeu moedas nos últimos meses, e o dado deve fechar o retrato da temporada.
Para o investidor, o ponto de atenção é que a "tesouraria de bitcoin" das mineradoras deixou de ser uma aposta estática. Quem compra essas ações para se expor ao bitcoin está, na prática, comprando uma empresa que pode decidir vender esse mesmo bitcoin para financiar data centers, pagar dívida ou recomprar papéis.
Fonte: Livecoins, com dados de documentos enviados à SEC e do Bitcoin Treasuries.
Foto: MikeBogosian, via Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0).
Esta matéria tem caráter informativo e não constitui recomendação de investimento.