O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central decidiu nesta quarta-feira (4) manter a taxa Selic em 13,75% ao ano. A decisão foi unânime e interrompe uma sequência de cinco cortes consecutivos promovidos entre março e setembro, que haviam levado a taxa de 15% para o patamar atual.

O resultado veio em linha com o que o mercado projetava. As apostas por uma pausa ganharam força ao longo de outubro, depois que a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva frustrou a expectativa de uma solução rápida para a questão fiscal. Nas semanas seguintes, os juros futuros subiram e a curva passou a trabalhar com a hipótese de manutenção, e não de novo corte.

O que diz o comunicado

O colegiado justificou a pausa com o aumento das incertezas em torno do cenário. No texto que acompanha a decisão, o Copom afirmou que o momento exige cautela.

"O contexto atual, caracterizado por taxa Selic substancialmente contracionista, aumento significativo das incertezas em torno do cenário base, expectativas de inflação mais elevadas, e desaceleração da atividade econômica doméstica mais acentuada, apresenta um cenário desafiador para a política monetária, demandando serenidade e cautela na sua condução."

O BC disse que vai acompanhar a evolução do cenário para "manter a restrição adequada", para assegurar a convergência da inflação à meta.

No cenário externo, o comitê apontou um ambiente mais adverso, com o prolongamento das tensões geopolíticas, a alta do petróleo e derivados e condições financeiras mais restritivas nas economias avançadas. Para o Copom, esse quadro pede prudência sobretudo dos emergentes, mais sensíveis a oscilações cambiais e a movimentos de capital.

No plano doméstico, a avaliação é de que a atividade econômica perde ritmo de forma mais intensa, sobretudo nos setores cíclicos. O mercado de trabalho segue relativamente resiliente, mas o comunicado mencionou sinais recentes de arrefecimento. A inflação, por sua vez, voltou a acelerar tanto no índice cheio quanto nas medidas subjacentes e permanece acima do limite superior do intervalo de tolerância da meta.