O presidente Luiz Inácio Lula da Silva fará um pronunciamento à nação em cadeia nacional de rádio e televisão no domingo (8). O objetivo é acalmar o mercado financeiro e transmitir uma mensagem de pacificação para o quarto mandato, segundo apurou o Estadão/Broadcast.

Será a primeira fala formal do presidente aos brasileiros desde a reeleição, em 25 de outubro. No discurso, Lula deve dizer que vai perseguir as metas fiscais sem abandonar as promessas de campanha — a equação que o mercado cobra desde a vitória sobre o senador Flávio Bolsonaro (PL).

O que deve ser anunciado

Segundo a apuração, Lula afirmará que terá responsabilidade fiscal ao longo de todo o mandato e anunciará medidas de ajuste que vêm sendo discutidas com os ministros Dario Durigan (Fazenda) e Bruno Moretti (Planejamento). Na terça-feira (3), o presidente passou horas reunido com os dois no Palácio da Alvorada antes de viajar a São Paulo para exames médicos.

A expectativa é de que as medidas de contenção de gastos e de aumento de arrecadação sejam detalhadas nas próximas semanas. Na sexta-feira que antecedeu o primeiro turno, Durigan disse que Lula promoveria um ajuste das contas públicas sem dar um "cavalo de pau" nem fazer "loucuras na economia".

A conta da campanha

Durante a campanha, o presidente não deu indicações claras de como pretende implementar o ajuste. Chegou a afirmar que fazer superávit primário era "babaquice" e lançou um pacote de medidas que supera R$ 400 bilhões.

Estão nesse rol a criação do Pé-de-Meia para universitários, a universalização do programa para todos os alunos do ensino médio, a construção de mais de 100 presídios de segurança máxima e reajustes do Bolsa Família e do salário mínimo, entre outras promessas. Como mostrou o Estadão, as novas medidas exigirão ajustes de ao menos R$ 39,8 bilhões no Orçamento de 2027.

O pano de fundo

O pronunciamento foi anunciado na semana passada, após um almoço do presidente com o deputado reeleito André Janones (Rede-MG). O anúncio vem na esteira da reação dos mercados à reeleição: o primeiro pregão após a vitória de Lula registrou uma sangria histórica na Bolsa, com alta dos juros futuros e do risco-país diante das dúvidas sobre os planos fiscais do novo governo.

A leitura de boa parte do mercado é de que a pausa do Copom nesta quarta-feira, que manteve a Selic em 13,75% ao ano, só será revertida em cortes se vier um sinal concreto de ajuste. É esse sinal que o pronunciamento de domingo tenta oferecer.

Além do ajuste, Lula deve agradecer a mulheres, estudantes e idosos pela virada sobre Flávio Bolsonaro, reconhecer o cenário polarizado revelado pelas urnas e pedir união em torno dos projetos do governo.

Fonte: Estadão Conteúdo / Money Times.

Foto: Arne Müseler, via Wikimedia Commons (CC BY-SA 3.0 de).

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