O Partido Democrata conquistou na madrugada desta quarta-feira (4) a maioria nas duas casas do Congresso dos Estados Unidos, impondo a Donald Trump a maior derrota eleitoral de seus dois mandatos e devolvendo à oposição o poder de bloquear a agenda legislativa do presidente nos dois últimos anos de governo.
No Senado, os democratas somavam 53 cadeiras contra 41 dos republicanos, com 6 assentos ainda em apuração, segundo a G1 — a maioria na Casa é de 51 senadores. Horas depois, o partido garantiu também o controle da Câmara dos Representantes, onde já tinha 219 cadeiras contra 126, com 90 distritos a apurar; a maioria absoluta é de 218. Antes da eleição, os republicanos controlavam as duas Casas.
Sete cadeiras viradas no Senado
Os democratas viraram sete cadeiras que estavam sob controle republicano: Texas, Kansas, Ohio, Iowa, Maine, Carolina do Norte e Carolina do Sul. O partido também manteve outras 12 cadeiras que já ocupava.
As viradas mais simbólicas vieram de estados que votaram com folga em Trump há dois anos:
- Texas — James Talarico derrotou Ken Paxton e se tornou o primeiro democrata eleito senador pelo estado em 38 anos.
- Kansas — Adam Hamilton venceu o senador Roger Marshall; o estado não elegia um democrata ao Senado desde 1932.
- Ohio — Sherrod Brown, crítico declarado das criptomoedas, derrotou o senador Jon Husted, em disputa que recebeu cerca de US$ 63 milhões de gastos da indústria cripto.
- Carolina do Sul — Annie Andrews surpreendeu e venceu Darline Graham, que ocupava a cadeira do irmão, Lindsey Graham, morto no início do ano.
- Maine — Troy Jackson derrotou a senadora republicana Susan Collins, uma das quatro republicanas que barraram o avanço do CLARITY Act em setembro.
- Carolina do Norte — Roy Cooper ficou com a cadeira aberta por Thom Tillis.
- Iowa — Josh Turek venceu a deputada Ashley Hinson.
O partido ainda segurou disputas consideradas apertadas, como a reeleição de Jon Ossoff na Geórgia, que derrotou o deputado Mike Collins, e a vitória de Chris Pappas em New Hampshire. Cory Booker (Nova Jersey), Ed Markey (Massachusetts) e John Hickenlooper (Colorado) foram reeleitos com facilidade.
Câmara: 25 distritos virados
Na Câmara, os democratas viraram 25 distritos republicanos em estados como Califórnia, Colorado, Iowa, Kentucky, Missouri, Carolina do Norte, Nebraska, Nova Jersey, Ohio, Pensilvânia e Virgínia. A projeção da NBC News aponta cerca de 255 cadeiras para o partido — a maior maioria em quase duas décadas —, embora a apuração ainda estivesse em 219 a 126 na última atualização da G1.
Segundo a Associated Press, os democratas levaram distritos que apoiaram Trump por margens de até 18 pontos percentuais em 2024, incluindo três distritos da Flórida redesenhados pela legislatura estadual justamente para dificultar candidaturas democratas, e todos os distritos competitivos da Pensilvânia. Em Iowa, que tinha uma bancada totalmente republicana, o partido passou a ocupar três das quatro cadeiras.
Governos estaduais também mudam de mãos
A onda democrata chegou aos governos estaduais: Keisha Lance Bottoms foi eleita na Geórgia — a primeira mulher negra a governar o estado —, Amy Acton venceu em Ohio, Rob Sand em Iowa e Gina Hinojosa no Texas.
O que muda em Washington
O resultado reformula o equilíbrio de poder na capital americana. Com as duas Casas, os democratas passam a ter poder para bloquear a agenda legislativa de Trump, rejeitar indicados presidenciais e abrir investigações sobre o governo. A AP relata que parlamentares democratas já se preparavam para uma nova rodada de apurações sobre possíveis conflitos de interesse nos negócios da família do presidente — incluindo os empreendimentos ligados a criptomoedas.
A campanha foi definida, segundo a própria AP, pela insatisfação dos eleitores com o custo de vida, pela guerra contra o Irã e por percepções de corrupção pública. Trump, que pediu repetidas vezes que os eleitores votassem "como se ele estivesse na cédula", atribuiu a derrota aos candidatos republicanos e disse que os democratas "fizeram um bom trabalho" na campanha.
Efeito no mercado e na pauta cripto
O primeiro reflexo apareceu nos mercados: os futuros do S&P 500 caíam 0,3% na quarta-feira, em meio a preocupações com os gastos de capital em data centers e inteligência artificial, segundo o estrategista-chefe da Ameriprise Financial, Anthony Saglimbene.
No setor cripto, a mudança de comando do Congresso reacende a discussão sobre o CLARITY Act, o marco regulatório de ativos digitais que travou no Senado. O super PAC Fairshake, bancado por Coinbase, Ripple e Andreessen Horowitz, foi o maior gastador da eleição no setor, com apoio declarado a 32 deputados incumbentes que votaram a favor do texto em 2025 — entre eles 19 republicanos e 13 democratas.
A vitória de Sherrod Brown, um dos críticos mais antigos das criptomoedas no Senado, em Ohio, é o contraponto mais visível: a corrida consumiu cerca de US$ 63 milhões da indústria, dos quais US$ 56 milhões do Fairshake e US$ 7 milhões do Digital Freedom Fund, ligado aos irmãos Winklevoss, segundo a Cointelegraph.
Fonte: G1 / Associated Press.
Foto: Casa Branca, via Wikimedia Commons (domínio público).
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