O bitcoin caiu ao menor nível em sete semanas durante a apuração das eleições de meio de mandato nos Estados Unidos e passou a manhã desta quarta-feira (4) tentando recuperar as perdas, em um pregão que misturou o resultado político com o mau humor da bolsa americana.
A moeda recuou até US$ 75.618 na Bitstamp, patamar que não aparecia desde 16 de setembro, quando os resultados eleitorais começaram a sair na noite de terça-feira. Nas três horas seguintes, o preço rebateu até US$ 78.039, segundo dados da TradingView citados pela Cointelegraph. O panorama de mercado usado pelo site, atualizado na madrugada, apontava o bitcoin a US$ 77.205 (R$ 423.731) — praticamente estável em relação à véspera.
A média de 50 semanas é a linha que separa a correção
O nível que analistas passaram a acompanhar é a média móvel de 50 semanas, que estava em US$ 75.733. Para os gráficos monitorados pelo mercado, perder essa linha abriria espaço para uma correção mais profunda do que a vista até aqui; defendê-la mantém o preço dentro do intervalo dos últimos meses.
O comportamento é o oposto do que se viu em outubro, o pior mês do bitcoin em 12 anos. A moeda saiu de US$ 83.757 em 30 de setembro para US$ 77.276 no fechamento de 31 de outubro, queda de cerca de 7,7% no mês, pressionada por juros altos nos Estados Unidos e pelo roubo de US$ 6,3 bilhões da Binance.
O mercado já havia precificado o resultado
Para parte do mercado institucional, o movimento eleitoral não foi surpresa. "O bitcoin se moveu cerca de 1,7% depois do fechamento das urnas, perto dos aproximadamente 1,8% que as opções precificavam, e não houve uma liquidação relevante de alavancagem", disse Kelly Ye, chefe de pesquisa da Talos, plataforma de negociação de ativos digitais para institucionais, à Cointelegraph. "A eleição era o evento principal, mas o mercado já havia se preparado para ele."
A leitura ajuda a explicar por que a queda ficou concentrada na madrugada e não se transformou em venda generalizada: o prêmio de risco embutido nos contratos de opções já cobria um resultado adverso, e o pior cenário — uma varredura democrata nas duas Casas — não chegou a provocar uma cascata de liquidações.
Wall Street reage ao mesmo fator
Do outro lado, a bolsa americana reagiu mal ao resultado por um motivo distinto do político: os gastos com data centers e inteligência artificial. Anthony Saglimbene, estrategista-chefe de mercado da Ameriprise Financial, disse à CNBC que a preocupação com o capex de IA está por trás da reação adversa às vitórias democratas — o temor é que a nova maioria pressione o financiamento e a infraestrutura do setor. Os futuros do S&P 500 caíam 0,3% na manhã de quarta.
O resto do mercado
O movimento não se restringiu ao bitcoin. O ether (ETH) aparecia a US$ 2.270,27 (R$ 12.460,17) na atualização da madrugada, praticamente estável em relação à véspera. Entre as 100 maiores moedas por valor de mercado, a maior alta do dia era a LayerZero (ZRO), com +7,9%, e a maior baixa, a Rain (RAIN), com -3,8% — um sinal de que o pregão foi de acomodação, e não de fuga generalizada do risco.
O que o investidor acompanha agora
O curto prazo fica dividido entre dois vetores: de um lado, a média móvel de 50 semanas, que funciona como linha de defesa técnica; de outro, o comportamento das bolsas americanas, que têm ditado o apetite por risco nos últimos meses. A agenda macro da semana nos Estados Unidos e a temporada de balanços do terceiro trimestre, que se encerra nos próximos dias, completam o quadro.
Fonte: Cointelegraph.
Foto: Satheesh Sankaran, via Wikimedia Commons (CC BY 2.0).
Esta matéria tem caráter informativo e não constitui recomendação de investimento.