A Binance reabriu as retiradas de criptomoedas na madrugada deste domingo (1º) e, nas primeiras nove horas e meia de operação, processou US$ 4,65 bilhões em saques contra US$ 1,01 bilhão em depósitos — uma saída líquida de cerca de US$ 3,64 bilhões, segundo números divulgados pela própria exchange no X. O valor equivale a 2,1% dos US$ 171 bilhões em ativos sob gestão (AUM) da corretora na auditoria de 28 de outubro.

É o primeiro balanço consolidado do fluxo após o maior roubo da história do setor: cerca de US$ 6,3 bilhões em ativos saíram das carteiras quentes da Binance em 29 de outubro, o que levou a corretora a suspender as retiradas e, depois, a prometer cobertura integral com recursos próprios e fundo de emergência.

O que aconteceu nas primeiras horas

A reabertura foi feita por fases, às 6h UTC (3h em Brasília), e a primeira etapa — 15 redes principais — foi concluída por volta das 12h36 UTC (9h36 em Brasília). Ainda assim, o descasamento entre saques e depósitos foi imediato:

  1. O pico de retiradas ocorreu às 8h UTC (5h em Brasília), com US$ 733 milhões processados em apenas 30 minutos.
  2. Meia hora depois, às 8h30 UTC, os depósitos marcaram o máximo do dia, com US$ 187 milhões enviados de volta à plataforma.
  3. No intervalo entre o início da manhã e as 15h30 UTC (12h30 em Brasília), o sistema somou os US$ 4,649 bilhões em retiradas que resultaram na saída líquida de US$ 3,64 bilhões.

Segundo a Binance, o volume de retiradas diminuiu e está "estabilizando conforme esperado" depois do pico inicial, enquanto os depósitos "permanecem substanciais".

O que ainda está bloqueado

A liberação está longe de ser completa. Às 11h22 no horário de Nova York, a página de status da corretora mostrava saques suspensos em 531 das 552 moedas listadas, com outras 14 — incluindo bitcoin e ether — parcialmente restabelecidas. As redes que seguem em teste incluem Cardano, Chainlink, Hyperliquid, Litecoin e NEAR. A Binance afirma que as retiradas agora saem de carteiras recém-geradas, já incluídas na lista de prova de reservas.

O Brasil ficou fora da suspensão

A suspensão anunciada na sexta-feira (30) atingiu apenas a retirada de criptoativos. Segundo um porta-voz da corretora ouvido pelo Livecoins, os saques em real e as negociações internas da Binance Brasil não pararam em nenhum momento do incidente.

Em comunicado aos clientes brasileiros, a BBrasil SPSAV LTDA., pessoa jurídica que atende os usuários locais, afirmou que cumpre "os requisitos de segregação estabelecidos pelo Banco Central do Brasil" e que os ativos virtuais são mantidos em cold wallets, carteiras frias desconectadas da internet.

Além de observar os requisitos de segregação estabelecidos pelo Banco Central do Brasil, os ativos virtuais são mantidos em cold wallets (carteiras frias), agregando uma camada adicional de segurança. — Binance Brasil, em comunicado oficial aos usuários brasileiros.

O que terceiros mediram

Plataformas independentes confirmam a direção do fluxo, com números diferentes por causa das janelas de tempo e das carteiras que cada uma rastreia. O DefiLlama apontou US$ 4,05 bilhões de saída líquida da Binance em 24 horas, contra cerca de US$ 368 milhões de entrada somada nas dez maiores corretoras seguintes — lideradas pela OKX, com US$ 316,8 milhões. Bitfinex e Gate registraram saídas líquidas de US$ 106,3 milhões e US$ 34,5 milhões, respectivamente.

Dados da CoinGlass mostram o mesmo desenho no bitcoin: as reservas da Binance caíram cerca de 19.289 BTC em 24 horas, enquanto Coinbase e Kraken ganharam aproximadamente 984 BTC e 1.422 BTC.

Prova de reservas sai nesta segunda-feira

Para atestar solvência, a Binance fez uma nova captura de saldos à meia-noite de sábado (31), calculada com provas de conhecimento zero (ZKP), e promete publicar o relatório atualizado de prova de reservas nesta segunda-feira (2). O co-CEO Richard Teng afirmou no sábado que a empresa já repôs 90% dos ativos roubados e cobriria o restante com recursos próprios; na sexta-feira, a corretora havia informado ter US$ 6,34 bilhões reservados para o episódio.

O caso segue sob investigação: o FBI atribuiu o roubo, no sábado, ao grupo norte-coreano TraderTraitor.

O que observar daqui para a frente é se a saída líquida continua no ritmo das primeiras horas ou se acomoda à medida que as redes restantes — e a prova de reservas — forem liberadas.

Foto: Shixart1985, via Wikimedia Commons (CC BY 2.0).

Esta matéria tem caráter informativo e não constitui recomendação de investimento.