Os fundos de bitcoin negociados em bolsa nos Estados Unidos tiveram, na sexta-feira (30), a maior saída diária de outubro: US$ 643,2 milhões deixaram os ETFs à vista de bitcoin, segundo o rastreador do Decrypt. Foi a primeira sessão completa após o ataque que drenou cerca de US$ 6,3 bilhões das carteiras da Binance, na quinta-feira (29), depois do fechamento dos mercados americanos.
As entradas de US$ 17,2 milhões registradas na quinta-feira, antes do roubo, não resistiram: a saída de sexta apagou uma sequência de quatro dias com US$ 441 milhões de aportes.
A conta do mês
O resultado da semana ficou negativo em cerca de US$ 202 milhões e outubro fechou com saída líquida de aproximadamente US$ 516 milhões. O total acumulado desde o lançamento dos fundos, em janeiro de 2024, recuou para US$ 57,4 bilhões em entradas líquidas, com patrimônio líquido total de US$ 103,2 bilhões.
Por serem reportados diariamente e concentrarem dinheiro de instituições e assessores financeiros, os fluxos dos ETFs viraram um dos principais termômetros de sentimento do mercado cripto — e o termômetro marcou risco logo depois do maior roubo da história do setor.
Ether e solana sofreram mais, proporcionalmente
Os outros dois complexos de fundos tiveram desempenho pior em relação ao próprio tamanho:
- ETFs de ether perderam US$ 155,7 milhões na sexta-feira, estendendo para cinco dias seguidos de saques, num total de cerca de US$ 431 milhões. As perdas de outubro chegam a aproximadamente US$ 1,61 bilhão.
- ETFs de solana registraram saída de US$ 10,8 milhões, a quinta sessão consecutiva no vermelho, somando cerca de US$ 72 milhões na semana. Em todo o mês, entraram dinheiro em apenas dois dias.
Desde o lançamento, em julho de 2024, os fundos de ether acumulam US$ 12,2 bilhões de entradas líquidas.
Como o bitcoin reagiu
O bitcoin caiu cerca de 4% na sexta-feira, para perto de US$ 76.400, e mais de US$ 1,3 bilhão em posições alavancadas foram liquidadas. No sábado, a moeda estabilizou em torno de US$ 77.520, alta de 0,5% em 24 horas, mas queda de 3,3% na semana.
Proporcionalmente, o tombo foi bem menor que o do ataque fracassado à própria Binance em 2018, quando o bitcoin recuou quase 11%. Ethereum negociava perto de US$ 2.251 (queda de 3,9% na semana) e solana, perto de US$ 96 (-4,5%), com o valor de mercado total das criptomoedas em cerca de US$ 2,7 trilhões.
O pano de fundo macro
A pressão não vem só do episódio da Binance. Na quarta-feira, o Federal Reserve manteve os juros no intervalo de 3,75% a 4%, mas dois dirigentes votaram por alta e os operadores precificavam probabilidade acima de 70% de aumento em dezembro.
Do lado do socorro às exchanges, a Binance prometeu cobrir todas as perdas com recursos próprios e reserva de emergência, enquanto Tether e Circle congelaram mais de US$ 2,3 bilhões em stablecoins roubadas. Algumas casas de Wall Street, na direção oposta à dos fluxos, chegaram a recomendar a compra de ações ligadas a cripto justamente na fraqueza dos mercados.
O que separa um susto de uma mudança de tendência, nesse tipo de episódio, é justamente o dado que saiu na sexta-feira: para onde vai o dinheiro dos ETFs nas sessões seguintes, depois de uma semana de saques em bitcoin, ether e solana.
Foto: Billie Grace Ward, via Wikimedia Commons (CC0).
Esta matéria tem caráter informativo e não constitui recomendação de investimento.