A taxa de desocupação no Brasil ficou em 5,2% no trimestre encerrado em setembro, informou o IBGE nesta sexta-feira (30). O resultado veio em linha com a mediana das projeções de analistas consultados pela Reuters, também de 5,2%, e representa recuo de 0,2 ponto percentual sobre o trimestre até junho (5,4%) e de 0,4 ponto sobre o mesmo período de 2025 (5,6%).
Com isso, o país tinha 5,6 milhões de pessoas desocupadas no terceiro trimestre, uma redução de 4,0% (menos 234 mil pessoas) em relação ao trimestre anterior e de 6,9% (menos 417 mil pessoas) na comparação anual.
Ocupação no maior nível da série
A população ocupada chegou a 103,6 milhões de pessoas, o maior contingente desde o início da série histórica da PNAD Contínua, em 2012. O avanço foi de 0,6% no trimestre (mais 581 mil pessoas) e de 1,2% no ano (mais 1,2 milhão de pessoas).
“Entre as atividades com alta na ocupação, destaca-se o crescimento no setor da Construção, que subiu 2,8% no trimestre, com mais 210 mil pessoas ocupadas”, diz o analista da pesquisa, William Kratochwill.
Empregadores e setor público também batem recorde
O contingente de empregadores atingiu o recorde de 4,5 milhões de pessoas, com alta de 4,3% no trimestre (mais 184 mil pessoas) e de 6,4% no ano (mais 272 mil pessoas).
“Empregadores são multiplicadores de trabalho, visto que o fruto do seu empreendimento gera novas oportunidades. Esses, que por muitas vezes foram trabalhadores por conta-própria, conseguiram crescer e ampliar o número de pessoas ocupadas, logo contribuindo também para a redução da desocupação”, analisa William.
O número de empregados no setor público também atingiu recorde, em 13,2 milhões de pessoas. O contingente ficou estável no trimestre e cresceu 2,5% no ano (mais 317 mil pessoas).
“O contingente de pessoas trabalhando no setor público com carteira foi consequência do aumento de ocupados na educação como professores, de ensino pré-escolar, fundamental e médio, acrescentando cerca de 45 mil pessoas”, diz o analista.
A administração pública municipal contribuiu com cerca de 30 mil contratações, entre escriturários gerais, analistas de sistemas e recepcionistas. “Ou seja, a atividade municipal apresentou a maior contribuição do setor público”, sintetiza.
Setor privado ficou parado
O número de empregados no setor privado com carteira assinada (sem considerar trabalhadores domésticos) foi de 39,4 milhões, com estabilidade no trimestre e no ano. Também ficaram estáveis os empregados sem carteira no setor privado (13,7 milhões), os trabalhadores por conta própria (26,1 milhões) e os trabalhadores domésticos (5,4 milhões).
Para o IBGE, a estabilidade tem uma leitura de conjuntura:
“Essas estabilidades podem indicar que o mercado de trabalho aguardava as possíveis mudanças do pleito eleitoral. Logo, seu rumo será mais bem percebido nas próximas divulgações”, diz o analista da pesquisa.
Os números do trimestre
- Taxa de desocupação: 5,2% (5,4% no 2T26 e 5,6% no 3T25)
- Desocupados: 5,6 milhões (-4,0% no trimestre, -6,9% no ano)
- População ocupada: 103,6 milhões, recorde da série (1,2% acima de um ano antes)
- Empregadores: 4,5 milhões, recorde (+6,4% no ano)
- Setor público: 13,2 milhões, recorde (+2,5% no ano)
- Construção: +2,8% no trimestre, com mais 210 mil ocupados
O que está em jogo
O dado sai na véspera da divulgação do PIB do terceiro trimestre e reforça a leitura de uma economia ainda aquecida no mercado de trabalho — combinação que, segundo o Valor, esfria as apostas em cortes de juros no curto prazo. Um mercado de trabalho apertado sustenta o consumo das famílias, mas também ajuda a explicar a resistência da inflação de serviços, o que limita o espaço do Banco Central para afrouxar a política monetária.
Para o investidor, os três números que importam deste relatório são a taxa (5,2%), o total de ocupados (103,6 milhões, recorde) e a composição. O emprego formal no setor privado ficou parado, enquanto a ocupação cresceu na construção e no setor público. É essa composição que vai dizer se a queda do desemprego se sustenta quando o efeito da eleição sobre as decisões de contratação se dissipar.
Fonte: IBGE (PNAD Contínua) e InfoMoney (30 de outubro de 2026).
Foto: WTF Formwork, via Wikimedia Commons (CC BY-SA 3.0).
Esta matéria tem caráter informativo e não constitui recomendação de investimento.