O Bradesco (BBDC4) sofreu nesta semana o segundo rebaixamento consecutivo de uma casa de análise de peso. Depois de o Itaú BBA retirar a recomendação de compra da ação, o JPMorgan cortou sua classificação de *overweight* (exposição acima da média do mercado, equivalente a compra) para neutra e reduziu o preço-alvo para dezembro de 2027 de R$ 26 para R$ 18 — um corte de quase 31%.

O movimento reforça uma visão cada vez mais cautelosa do mercado para os bancos brasileiros depois das eleições de outubro, em meio à expectativa de um ambiente macroeconômico mais difícil em 2027, com juros mais altos e crescimento menor.

O que o JPMorgan vê

O banco americano afirma que o Bradesco pode enfrentar uma interrupção em sua trajetória gradual de melhora de rentabilidade. As projeções são de:

  • ROE (retorno sobre patrimônio) recuando de cerca de 15% em 2026 para 14% em 2027;
  • Lucro líquido praticamente estagnado, com crescimento de apenas 2% no período, para aproximadamente R$ 27,9 bilhões;
  • Crescimento da carteira de crédito desacelerando para cerca de 6% nos próximos trimestres.

Segundo os analistas, perderão fôlego justamente as linhas que hoje sustentam a expansão da carteira: crédito consignado privado, empréstimos a pequenas e médias empresas apoiados por programas governamentais (FGI/FGO), financiamento de veículos e operações com grandes companhias.

Inadimplência e provisões no radar

O ponto de atenção central é a qualidade dos ativos. Segundo o Itaú BBA, a inadimplência acima de 90 dias atingiu 4,6% no terceiro trimestre de 2026, alta de 30 pontos-base na comparação trimestral, e o banco voltou a elevar provisões para perdas e a reduzir a cobertura da inadimplência no 3T26. Para 2027, as despesas com provisões devem subir .