O Ibovespa fechou esta quarta-feira (28) em queda de 2,68%, aos 171.006,10 pontos, no terceiro pregão consecutivo de perdas depois da reeleição de Lula. Na comparação com a abertura, o índice perdeu 4.703,95 pontos, e o giro do pregão somou R$ 59,80 bilhões.
Terceiro dia de queda
A semana acumula recuo de 16,62% para o Ibovespa, que também cai 8,23% em outubro e no quarto trimestre, ainda que sustente alta de 6,13% em 2026. O fechamento foi o menor desde 20 de agosto, quando o índice havia encerrado aos 167.927,15 pontos. Durante o dia, oscilou entre a mínima de 170.162,48 e a máxima de 175.711,22 pontos.
Das 85 ações acompanhadas no pregão, 7 subiram, 77 caíram e uma ficou estável, com mediana de queda de 3,18% — um dia de venda generalizada, não de ajuste concentrado em poucos papéis.
Bancos e varejo à frente das perdas
Os bancos lideraram a queda. Entre as ações mais negociadas do dia:
- BBAS3 (Banco do Brasil): -3,39%, com 129.478 negócios, a mais negociada do pregão;
- BBDC4 (Bradesco): -6,68%, com 128.711 negócios;
- B3SA3: -4,61%;
- BPAC11 (BTG Pactual): -6,52%;
- ITUB4 (Itaú Unibanco): -3,42%.
O Santander Brasil caiu 5,88% no mesmo dia em que reportou lucro líquido gerencial recorrente de R$ 2,89 bilhões no terceiro trimestre, queda de 28% em um ano, com receitas e inadimplência ainda no radar.
No varejo, as perdas foram mais fundas: BHIA3 recuou 12,09%, MGLU3 perdeu 10,78% e AMER3 caiu 10,47%. A Movida (MOVI3) desabou quase 20% apesar do lucro de R$ 152 milhões no trimestre, ofuscado pela expectativa de juros altos por mais tempo.
A Vale (VALE3) caiu 2,57% e acumula baixa de 10,29% em 2026, negociando perto da mínima do ano. Entre as gigantes, a Petrobras (PETR4) teve a queda mais contida: -0,46%, a R$ 52,40, no dia em que divulgou produção recorde no trimestre.
O IFIX, índice que reúne os fundos imobiliários, encerrou com baixa de 1,75%, aos 3.654,09 pontos.
Dólar cede, juros futuros sobem
O dólar comercial virou no fim do dia e fechou com baixa de 0,19%, a R$ 5,340. A PTAX de fechamento ficou em R$ 5,3414 na compra e R$ 5,3420 na venda. Ainda assim, a moeda americana acumula alta de 6,95% na semana e de 3,19% no mês. O índice DXY, que mede o dólar ante uma cesta de divisas, recuou 0,16%, aos 102,15 pontos.
Se o câmbio deu trégua, os juros futuros não: os DIs (Depósitos Interfinanceiros) terminaram com altas por toda a curva, e a taxa do Tesouro IPCA+ voltou a encostar em 8% ao ano, em meio ao temor fiscal e à discussão sobre a cobrança de IOF de títulos hoje isentos.
O fiscal e o Fed
O Ibovespa caiu com o mercado aguardando definições econômicas do pós-eleição. Nenhum cenário positivo em relação à situação fiscal do Brasil foi divulgado até o momento e o mercado começa a questionar se ainda teremos cortes de juros no futuro, com essa possibilidade ficando cada vez mais remota.
A avaliação é de Lucas Xavier, head da mesa de renda variável e sócio da AW Capital.
No exterior, o Federal Reserve manteve os juros americanos no intervalo de 3,75% a 4,00% ao ano, e a decisão não foi unânime: os dois votos divergentes pediram alta de 0,25 ponto percentual. Mesmo assim, os índices de Nova York fecharam em alta, com o Dow Jones subindo 0,19%. O Brent com vencimento em janeiro ajustou a US$ 111,64, alta de 2,04%.
O que fica no radar
A quinta-feira (29) traz dados nos dois lados: nos Estados Unidos, a preliminar do PIB do terceiro trimestre e o índice de preços de consumo pessoal, o PCE; no Brasil, o resultado do governo central e o resultado primário de setembro. No fundo, o tema é o mesmo que derrubou a bolsa na semana — o fiscal.
Fonte: InfoMoney, Agência Brasil e Radar Ibov (28 de outubro de 2026).
Foto: Mike Peel (www.mikepeel.net), via Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0).
Esta matéria tem caráter informativo e não constitui recomendação de investimento.