O Ibovespa caiu 1,06% nesta quinta-feira (29), aos 169.186,42 pontos, e completou a quarta sessão consecutiva de queda. É o menor patamar do índice desde 20 de agosto, quando fechou em 167.927 pontos. No mesmo dia, o dólar comercial subiu 0,89%, a R$ 5,3874, e o valor de mercado das empresas que compõem o índice recuou cerca de R$ 840 bilhões desde a segunda-feira.
O movimento ainda reflete o rearranjo de carteiras depois da reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva, no domingo (25), e se estende pelas taxas de juros futuros, que voltaram a subir ao longo de toda a curva.
O placar do pregão
- Ibovespa: -1,06%, aos 169.186,42 pontos, depois de marcar 171.402,97 na máxima e 168.765,35 na mínima do dia;
- Semana: -17,50%; outubro: -9,21%; no ano: +5,00%;
- Dólar comercial: +0,89%, a R$ 5,3874, com máxima de R$ 5,4285; alta de 7,90% na semana, de 4,12% no mês e queda de 1,85% no ano;
- Exterior: Dow Jones -0,25%, S&P 500 -0,3% e Nasdaq -1,4%.
Dos 76 ativos que compõem o índice, 60 fecharam em baixa, segundo o Valor Investe. Bradesco PN recuou 3,75% e Ambev ON perdeu 4,6%, enquanto Petrobras PN cedeu 0,53% e Itaú Unibanco PN, 0,2%.
Quatro dias de liquidação
A sequência de perdas começou logo após a definição da eleição:
- segunda (26): -13,88%
- terça (27): -0,51%
- quarta (28): -2,68%
- quinta (29): -1,06%
O Valor Econômico atribuiu a queda desta quinta à manutenção dos ajustes nas carteiras dos investidores. Na avaliação dos analistas, a primeira sessão — a de segunda — concentrou o impacto da surpresa eleitoral, e as seguintes refletem essa realocação gradual, além das dúvidas sobre o desenho da política econômica do novo mandato.
O dólar já havia disparado 8,21% na segunda-feira (26), no primeiro pregão depois das urnas, e devolveu parte do movimento nos dois dias seguintes antes de voltar a subir nesta quinta. As taxas de juros futuros (os DIs) também subiram mais uma vez ao longo de toda a curva, segundo o InfoMoney. A combinação de câmbio mais caro, juros futuros em alta e saída de recursos pressiona justamente os ativos mais sensíveis à política monetária — bancos, varejo e empresas alavancadas.
Petróleo, Fed e o debate fiscal
O petróleo fechou em leve baixa em Londres: o Brent para dezembro caiu 0,38%, a US$ 114,88 o barril, e o contrato para janeiro recuou 0,75%, a US$ 110,80, segundo a agência EFE e a Enfoque. O WTI para dezembro perdeu 0,76%, a US$ 102,00. O recuo veio de um renovado otimismo diplomático entre Estados Unidos e Irã, depois de relatos de uma carta enviada pelo vice-presidente americano, JD Vance.
A sessão também digeriu a decisão do Federal Reserve, que na quarta manteve os juros americanos na faixa de 3,75% a 4,00%, por 10 votos a 2, e o índice DXY — que mede o dólar contra uma cesta de moedas fortes — caiu 0,18%, aos 102,01 pontos.
No Brasil, o noticiário fiscal continuou no radar dos investidores. Na quarta-feira, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que o governo enviará ao Congresso um projeto de lei para estabelecer expressamente o compromisso de atingir o centro da meta fiscal em 2027, e manteve a previsão de superávit no Orçamento do ano que vem. A equipe econômica também prepara a regulamentação do Imposto Seletivo, o "imposto do pecado" criado pela reforma tributária sobre o consumo, que começa a ser cobrado em 2027 sobre bebidas alcoólicas, refrigerantes, cigarros, veículos mais poluentes, extração mineral e apostas. Em paralelo, segue o debate sobre rever isenções de renda fixa, como LCI e LCA, e sobre a cobrança de IOF por decreto — temas que mexem diretamente com a alocação do investidor pessoa física.
O que olhar adiante
O mercado entra na sexta-feira (30) ainda com a temporada de balanços do terceiro trimestre em andamento — a Vale divulgou resultados após o fechamento desta quinta e faz teleconferência às 11h — e com a agenda externa no radar, após a divulgação do PIB e do deflator do PCE americanos.
Fonte: G1, Valor Econômico, InfoMoney, Valor Investe e agência EFE (29 de outubro de 2026).
Foto: Rafael Matsunaga, via Wikimedia Commons (CC BY 2.0).
Esta matéria tem caráter informativo e não constitui recomendação de investimento.