A Usiminas (USIM5) registrou lucro líquido de R$ 243 milhões no terceiro trimestre de 2026, revertendo o prejuízo de R$ 3,503 bilhões apurado no mesmo período do ano passado. O resultado, porém, ficou abaixo dos R$ 300,11 milhões esperados pelo consenso IBES e representa queda de 43,1% sobre o segundo trimestre deste ano.
O prejuízo do 3T25 tinha sido contaminado por um *impairment* (baixa contábil do valor de ativos) de R$ 2,23 bilhões, o que explica boa parte da base de comparação. Ainda assim, a recuperação veio mais fraca do que o mercado projetava.
Ebitda cresce, mas decepciona
O Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações) ajustado somou R$ 558 milhões, alta de 29% na comparação anual, mas bem abaixo dos R$ 659,3 milhões projetados — uma diferença de 15,4%.
A receita líquida ficou em R$ 6,202 bilhões, recuo de 6% sobre um ano antes e levemente abaixo da estimativa de R$ 6,27 bilhões.
O resultado financeiro líquido seguiu negativo, em R$ 22 milhões, ainda que com redução de 51,4% sobre as perdas financeiras registradas um ano antes. O movimento alivia a pressão sobre o lucro, mas não fecha a diferença frente às expectativas do mercado.
Caixa segue positivo
A Usiminas encerrou setembro com caixa líquido de R$ 471 milhões, ante R$ 499 milhões no trimestre anterior. O fluxo de caixa operacional líquido do trimestre foi positivo em R$ 250 milhões.
Acumulado do ano já virou
Nos nove primeiros meses de 2026, a companhia lucrou R$ 1,57 bilhão, contra prejuízo de R$ 3,04 bilhões no mesmo intervalo de 2025. A receita líquida do período somou R$ 18,2 bilhões (-9,4%) e o Ebitda ajustado, R$ 1,97 bilhão (+25,2%).
Os números do trimestre
- Lucro líquido: R$ 243 milhões (contra prejuízo de R$ 3,503 bilhões no 3T25)
- Consenso IBES: R$ 300,11 milhões — resultado ficou abaixo
- Receita líquida: R$ 6,202 bilhões (-6% no ano)
- Ebitda ajustado: R$ 558 milhões (+29% no ano; consenso de R$ 659,3 milhões)
- Resultado financeiro líquido: -R$ 22 milhões (-51,4%)
- Caixa líquido: R$ 471 milhões (de R$ 499 milhões no 2T26)
O que os números dizem
A siderúrgica virou o resultado, mas a qualidade do trimestre é mista. O lucro veio de uma base de comparação deprimida por uma baixa contábil bilionária, o Ebitda cresceu sem alcançar o consenso e a receita líquida recuou 6% na comparação anual — sinal de preços realizados menores e de demanda doméstica ainda fraca.
O ponto positivo está no balanço: caixa líquido positivo de R$ 471 milhões e geração de caixa operacional de R$ 250 milhões, sem novas baixas contábeis relevantes no período. O ponto de atenção é a rentabilidade, que ainda não voltou ao nível que o mercado esperava para o trimestre.
A leitura vale para o setor como um todo: na véspera, a Vale (VALE3) já havia reportado lucro de US$ 1,25 bilhão no 3T26, queda anual de 53%, com preços realizados de minério de ferro mais baixos. Para o investidor em siderurgia e mineração, o trimestre confirma um ciclo de resultados mais fracos, mesmo com a recuperação contábil da Usiminas.
O que observar daqui para frente
Três variáveis devem definir os próximos trimestres da companhia. A primeira é o preço do aço no mercado interno, que determina a receita antes de qualquer ganho de eficiência. A segunda é o custo do minério de ferro e do carvão metalúrgico, insumos que a Usiminas compra — parte do minério vem da própria mineração, o que dá à empresa uma proteção parcial, mas não elimina a exposição ao câmbio e ao frete. A terceira é a demanda doméstica, hoje sustentada pela construção civil e por setores ligados a investimento.
O balanço, por ora, dá folga para esperar: com caixa líquido positivo e geração de caixa operacional no azul, a empresa não enfrenta pressão de liquidez enquanto tenta recompor margem. O teste do mercado será a capacidade de transformar a reversão contábil do prejuízo em recuperação consistente de Ebitda — não apenas em um trimestre favorecido por base de comparação fraca.
Fonte: Usiminas (balanço do 3T26) e InfoMoney (30 de outubro de 2026).
Foto: HVL, via Wikimedia Commons (CC BY 4.0).
Esta matéria tem caráter informativo e não constitui recomendação de investimento.