Os preços do petróleo operavam em alta nesta sexta-feira (30) e se encaminhavam para o quarto ganho mensal consecutivo, depois que um petroleiro foi atingido por dispositivos explosivos no Estreito de Ormuz — principal rota marítima de saída do petróleo bruto e dos combustíveis do Golfo.

Os contratos futuros do Brent para dezembro, que vencem nesta sexta, avançavam US$ 1,83, ou 1,59%, para US$ 116,70 o barril, por volta das 4h32 (horário de Brasília). O WTI, referência norte-americana, subia US$ 1,38, ou 1,35%, para US$ 103,40 o barril.

No acumulado do mês, o Brent caminhava para encerrar com alta de quase 11%, enquanto o WTI se encaminhava para uma valorização de 14%.

Ataque em Ormuz e escalada no Golfo

Segundo a UKMTO (Operações de Comércio Marítimo do Reino Unido), um petroleiro foi atingido por dispositivos explosivos fixados por uma pequena embarcação. Não estava imediatamente claro quem estava por trás do ataque.

O episódio se soma a uma sequência de eventos da véspera. Na quinta-feira (29), os houthis afirmaram ter atacado diversas instalações na Arábia Saudita, incluindo Ras Tanura — a maior refinaria de petróleo do país —, a refinaria de Rabigh e uma instalação de produção em Abqaiq, da estatal Saudi Aramco. Uma coalizão liderada pela Arábia Saudita informou ter interceptado um míssil de cruzeiro lançado pelos houthis em direção à região oeste do reino.

A guerra entre Estados Unidos, Israel e Irã entrou em seu oitavo mês, e o mercado segue avaliando se existe um caminho diplomático viável.

“Os contínuos confrontos nas proximidades do Estreito de Ormuz, em meio às dúvidas sobre a existência de um caminho diplomático viável, estão mantendo os preços do petróleo elevados, diante da expectativa de uma escalada do conflito nas próximas semanas”, afirmou Saul Kavonic, chefe de pesquisa de energia da MST Marquee.

Sinal diplomático sem resposta

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou na quinta-feira que o vice-presidente JD Vance havia entrado em contato com o Irã para ajudar o país a obter suprimentos médicos. A declaração veio depois de veículos de imprensa norte-americanos noticiarem que Vance enviou uma carta ao principal responsável pela segurança do Irã com o objetivo de retomar as negociações de paz.

Segundo a agência semioficial iraniana Tasnim, Teerã recebeu a carta, mas ainda não respondeu, e deseja que os Estados Unidos atendam às suas condições — “qualquer posição que contrarie essa estrutura é inaceitável”, afirmou a agência.

Empresas recuam da feira do setor

Em meio às preocupações com a segurança no Oriente Médio, a ExxonMobil e a Chevron cancelaram os planos de executivos de viajar para a maior feira de petróleo dos Emirados Árabes Unidos, na próxima semana, segundo duas fontes ouvidas pela Reuters.

Os números do dia

  1. Brent (dez/26): US$ 116,70 o barril (+1,59%)
  2. WTI (dez/26): US$ 103,40 o barril (+1,35%)
  3. Acumulado do mês: Brent perto de +11%; WTI perto de +14%
  4. Gatilho do dia: ataque com explosivos a um petroleiro no Estreito de Ormuz

Por que isso importa no Brasil

O petróleo acima de US$ 116 o barril mexe com duas pontas da economia brasileira. De um lado, melhora a receita e a geração de caixa da Petrobras (PETR4), cujo resultado depende sobretudo do pré-sal e do refino. De outro, pressiona combustíveis, frete e a inflação doméstica — num momento em que o mercado já revisa para cima as projeções de inflação e reduz as apostas em cortes de juros no curto prazo.

Para o investidor, o que importa agora é a duração do choque. Quatro meses seguidos de alta do petróleo deixaram de ser um evento isolado e passaram a ser um fator estrutural de custo, com efeito direto sobre a curva de juros e sobre a composição das carteiras entre setores ligados a commodities e setores sensíveis à renda das famílias.

Fonte: Reuters e Money Times (30 de outubro de 2026).

Foto: Quintin Soloviev, via Wikimedia Commons (domínio público).

Esta matéria tem caráter informativo e não constitui recomendação de investimento.