A presidente do Banco Central Europeu (BCE), Christine Lagarde, apresentou renúncia e deixará o comando da instituição em 7 de fevereiro de 2027, cerca de oito meses antes do fim do mandato, que se encerraria no final de outubro daquele ano. O anúncio foi feito pelo próprio BCE, em comunicado divulgado nesta quinta-feira (29).

Lagarde assumiu a presidência do BCE em novembro de 2019, depois de comandar o Fundo Monetário Internacional (FMI), e atravessou a pandemia de Covid-19 e a disparada dos preços de energia provocada pela guerra na Ucrânia. Em vídeo publicado nas redes sociais, afirmou que deixa a instituição com a sensação de "trabalho bem realizado" e um BCE "preparado para o futuro".

A decisão foi política, diz fonte

Segundo uma fonte ouvida pela Reuters, a saída não foi motivada por divergência sobre política monetária, e sim pela política francesa. Lagarde teria avaliado que já não conseguia manter a neutralidade exigida pelo cargo e queria mais liberdade para se manifestar sobre temas políticos na França e no cenário internacional. Um porta-voz do BCE se recusou a comentar as informações sobre as motivações da renúncia. O Fórum Econômico Mundial era apontado como um possível destino da economista após a passagem pela autoridade monetária europeia.

A antecipação tem efeito político direto. Ao deixar o cargo em fevereiro, Lagarde permite que o presidente da França, Emmanuel Macron, participe da escolha do sucessor antes da eleição presidencial francesa, marcada para abril de 2027 — disputa em que a líder de extrema direita Marine Le Pen aparece como favorita nas pesquisas. Em setembro, Lagarde havia descartado publicamente ser candidata à Presidência da França.

Macron afirmou que a sucessão no comando do BCE deverá ser preparada de forma "organizada e equilibrada", em conjunto com os demais países europeus, e agradeceu a Lagarde pela atuação à frente da instituição.