O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou nesta segunda-feira (26) que o governo vai promover ainda este ano uma mudança na lei — ou, se necessário, na Constituição — para buscar formalmente o centro da meta fiscal.

"Nós vamos mudar a lei ou, se necessário, a Constituição para buscar formalmente o centro da meta", declarou.

A declaração foi dada no primeiro dia após a reeleição de Lula, em um pregão que derrubou o Ibovespa em 13,88% e levou as taxas do Tesouro prefixado 2032 de 12,89% para 15,78% ao ano.

Por que o mercado cobra isso

A meta fiscal é o compromisso com o resultado das contas públicas. Buscar formalmente seu centro significa ancorar a trajetória da dívida em uma regra verificável, e não apenas em projeções de receita. É esse compromisso que o mercado passou a exigir com mais força depois do resultado das urnas.

O ponto de atenção é a diferença entre anunciar a intenção e entregar o instrumento: mudar a Constituição exige articulação com um Congresso mais adverso ao governo do que o do mandato anterior, e o próprio Durigan ainda não tem confirmada a permanência no cargo.

O calendário

A próxima reunião do Copom é em 4 de novembro. A equipe de macroeconomia do ASA projeta apenas mais um corte da Selic, hoje em 13,75% ao ano, nesse encontro, com a taxa terminando 2026 em 13,5%. Sem um ajuste fiscal crível, o ASA avalia que as expectativas de inflação seguem desancoradas e que o Banco Central só volta a cortar juros entre o segundo e o terceiro trimestres de 2027.

Imagem: Reuters, via InfoMoney.

Esta matéria tem caráter informativo e não constitui recomendação de investimento.