O Méliuz (CASH3) teve lucro líquido recorde de R$ 113,7 milhões no terceiro trimestre de 2026, quase oito vezes os R$ 14,2 milhões apurados entre julho e setembro de 2025. O balanço foi divulgado na quarta-feira.

Boa parte do salto vem de um efeito sem desembolso de caixa: a valorização das reservas de Bitcoin da companhia adicionou R$ 78,5 milhões ao resultado do período. No lado operacional, o EBITDA alcançou R$ 85,3 milhões, contra R$ 26,1 milhões um ano antes.

Bitcoin no caixa desde março de 2025

A estratégia de tesouraria em Bitcoin começou em março de 2025. Em setembro, a companhia tinha 526,7 bitcoins sob custódia, a um preço médio de compra acumulado de US$ 103.321,60 por unidade.

Pela primeira vez desde a flexibilização da política financeira em agosto, a administração vendeu 78 bitcoins, por R$ 29,4 milhões (US$ 5,65 milhões), para bancar o segundo programa de recompra das próprias ações sem contrair dívida.

Opções garantem a recompra das moedas em 2027

Para não perder a exposição à moeda digital depois de vender parte das reservas à vista, o Méliuz montou contratos de opções de compra que lhe conferem o direito de readquirir os mesmos 78 bitcoins em 2027. O custo máximo do lote ficou travado em US$ 5,85 milhões, o equivalente a cerca de US$ 75 mil por moeda.

Com essa estrutura, sem alavancagem, o grupo já havia capturado ganho acima do preço de exercício no fechamento de 30 de setembro, quando a cotação marcou US$ 83.554.

Efeito contábil reduz o indicador de bitcoin por ação

Como a operação com derivativos continua em curso, o balanço do terceiro trimestre refletiu apenas a primeira etapa e reduziu a reserva de moedas em 12,9%, enquanto o total de ações em circulação caiu 7,5%. Daí o intervalo técnico entre as duas pontas da transação: o indicador Bitcoin por Mil Ações recuou de 0,00581 no segundo trimestre para 0,00547 no terceiro, variação trimestral de -5,8% no chamado Bitcoin Yield.

No acumulado de doze meses, a divisão de negócios fora do comércio eletrônico tradicional (Beyond E-commerce) faturou R$ 85,1 milhões e superou toda a receita consolidada de R$ 81,5 milhões que a empresa tinha em 2019, antes de estrear na bolsa.

Fonte: Livecoins / RI Méliuz.

Imagem: Livecoins.

Esta matéria tem caráter informativo e não constitui recomendação de investimento.