O Santander Brasil (SANB11) registrou lucro líquido gerencial recorrente de R$ 2,885 bilhões no terceiro trimestre de 2026, uma queda de 28% na comparação com o mesmo período do ano passado e de 4,3% frente ao segundo trimestre. O resultado ficou abaixo do consenso de analistas, que apontava algo em torno de R$ 3 bilhões, e a rentabilidade medida pelo ROAE recuou para 11,9% — 5,6 pontos percentuais abaixo dos 17,5% de um ano antes e o menor nível desde o segundo trimestre de 2023.
Foi a terceira queda trimestral consecutiva do lucro: o banco havia somado R$ 4,086 bilhões no quarto trimestre de 2025, R$ 3,788 bilhões no primeiro trimestre de 2026 e R$ 3,014 bilhões no segundo. O lucro líquido contábil, que inclui efeitos não recorrentes, ficou em R$ 2,833 bilhões, recuo de 28,2% em doze meses e alta de 6,2% sobre o trimestre anterior — alta que reflete apenas a base de comparação, já que o segundo trimestre carregou R$ 291 milhões em efeitos não recorrentes negativos que não se repetiram.
Provisões e inadimplência explicam o tombo
O que pressiona o resultado é o custo do crédito. A provisão para devedores duvidosos (PDD) somou R$ 7,46 bilhões no trimestre, 14,4% acima do mesmo período de 2025, embora tenha recuado 2,5% na comparação com o segundo trimestre. A despesa equivale a 36,6% da receita total, contra 31,4% um ano antes.
A inadimplência acima de 90 dias atingiu 3,4% da carteira, alta de 0,6 ponto percentual em doze meses. A pressão está concentrada na pessoa física, cujo índice chegou a 5,5%, avanço de 1,3 ponto em um ano. Segundo o banco, a alta vem dos segmentos de baixa renda e do agronegócio. Na pessoa jurídica o indicador ficou em 1,5% e nas pequenas e médias empresas, em 5,0%.