Depois de recomprar mais de R$ 14 bilhões em títulos públicos na segunda-feira (26), o Tesouro Nacional ampliou a intervenção no mercado nesta terça-feira (27): cancelou o único leilão de venda que restava na semana e anunciou uma nova recompra de Notas do Tesouro Nacional série B (NTN-B), corrigidas pelo IPCA. É o terceiro anúncio de recompra desde a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, no domingo (25).

O que o Tesouro cancelou

O órgão informou que não realizará o leilão tradicional de Letras Financeiras do Tesouro (LFT), atreladas à Selic — depois de já ter cancelado as ofertas de NTN-B e de títulos prefixados. Com isso, não restou nenhuma oferta de venda de títulos na semana.

Cancelar leilão de venda é uma decisão de custo, não de oferta: em vez de colocar papel novo no mercado a taxas que o Tesouro considera excessivas, o órgão espera a poeira baixar e volta a vender quando o preço fizer sentido.

A nova recompra

A nova operação abrange NTN-B com vencimentos em 2030, 2035, 2040 e 2045. As condições serão divulgadas em edital no site do Tesouro Nacional.

Na prática, o Tesouro faz o caminho inverso ao dos leilões tradicionais: em vez de vender papéis novos, compra de volta títulos que estão nas mãos dos investidores. A medida ajuda a absorver a pressão de venda em meio à disparada dos juros — quando alguém quer se desfazer de um título e o Tesouro aparece como comprador, a taxa não precisa subir tanto para atrair demanda.