A confiança do consumidor voltou a subir em outubro após registrar cinco quedas seguidas, informou a Fundação Getulio Vargas (FGV) nesta segunda-feira (26), com melhora nos indicadores de expectativas, embora o setor permaneça em terreno de pessimismo.
O Índice de Confiança do Consumidor (ICC) ficou em 84,7 em outubro, alta de 0,5 ponto em relação ao indicador de setembro.
Expectativa melhora, presente piora
A alta de outubro foi concentrada nos indicadores de expectativas, com piora na percepção sobre o momento presente.
- Índice de Expectativas (IE): +2,8 pontos, para 88 pontos;
- Índice de Situação Atual (ISA): -2,6 pontos, para 81,4 pontos — menor nível desde março de 2025.
"A influência para alta em outubro foi concentrada nos indicadores de expectativas, com piora na percepção sobre o momento presente. O cenário das condições financeiras das famílias, com alto endividamento e inadimplência, parece ser um limitador para continuidade do avanço da confiança dos consumidores no último trimestre do ano", disse Rodolpho Tobler, economista do FGV/Ibre.
Leitura com cautela
"Ainda é preciso cautela com o resultado do mês, dado que ele apenas compensa a queda observada no mês passado e o nível do ICC se mantém em terreno de pessimismo", disse Tobler.
Na prática, o índice segue abaixo de 100 — o patamar que separa otimismo de pessimismo. Ou seja, a leitura positiva de outubro é de estabilização após sequência de quedas, e não de reversão consistente.
Por que isso importa para o investidor
Confiança do consumidor é indicador antecedente de consumo das famílias, que responde pela maior fatia do PIB. Expectativa em alta com situação atual em queda costuma anteceder recuperação gradual — mas fica vulnerável se o mercado de trabalho ou o crédito piorarem.