A reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) surpreendeu no domingo (25) com vantagem de cerca de 4,3 milhões de votos sobre Flávio Bolsonaro (PL), que havia encerrado o primeiro turno à frente e aparecia nas pesquisas eleitorais liderando a disputa.
Na visão de Gabriel Mollo, analista da Daycoval Corretora, a principal preocupação do mercado deve permanecer concentrada na trajetória das contas públicas, na dinâmica da dívida e na capacidade do governo de apresentar um plano fiscal capaz de estabilizar o endividamento.
Postura seletiva na Bolsa
No atual cenário, o analista avalia que a Bolsa tende a favorecer uma postura mais seletiva, com maior atenção a quatro fatores:
- Geração de caixa;
- Nível de endividamento;
- Previsibilidade das receitas;
- Exposição cambial de cada companhia.
Onde ele vê resiliência relativa
Na construção civil, a continuidade das políticas habitacionais e dos mecanismos de financiamento voltados à população de menor renda poderia sustentar a demanda por imóveis populares. Nesse contexto, Cury (CURY3) e Direcional (DIRR3) podem apresentar maior resiliência relativa em comparação com empresas mais dependentes do financiamento imobiliário de média e alta renda.
"O desempenho do segmento, entretanto, continuará condicionado às regras dos programas habitacionais, aos subsídios, aos custos de construção e à capacidade de execução dos projetos", destaca Mollo.
Setores defensivos e empresas com receitas relativamente previsíveis também podem ganhar relevância. Caixa Seguridade (CXSE3) e TIM (TIMS3) oferecem exposição a negócios com dinâmicas operacionais distintas das empresas mais cíclicas.
O analista cita ainda Petrobras (PETR4), BB Seguridade (BBSE3) e Telefônica Brasil (VIVT3), que podem ser avaliadas pela geração de caixa e pela capacidade de remunerar os acionistas, considerando suas respectivas avaliações e riscos operacionais.