A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) cobrou da Petrobras explicações sobre a declaração da presidente da companhia, Magda Chambriard, de que "a hora é de comprar" ações da estatal. A empresa respondeu em comunicado ao mercado na noite de terça-feira (27), sustentando que a fala foi um comentário circunstancial e que não havia fato relevante a divulgar.

A entrevista à Reuters

Em entrevista à Reuters na segunda-feira (26) — dia em que o Ibovespa afundou 13,88% e as ações preferenciais da Petrobras caíram 8,18% —, Chambriard classificou a queda dos papéis como um "movimento especulativo", sem correspondência com os fundamentos da empresa. A presidente destacou a solidez da companhia e sua carteira de investimentos, disse que a estatal não se deixaria influenciar por movimentos de curto prazo do mercado e emendou:

A hora é de comprar (ações). Infelizmente não posso.

O ofício da CVM

A declaração virou alvo da autarquia. Por meio do Ofício nº 285/2026/CVM/SEP/GEA-1, da Superintendência de Relações com Empresas, a CVM pediu que a Petrobras confirmasse a veracidade da reportagem — publicada originalmente pela CNN Brasil, sob o título "CEO da Petrobras vê queda das ações após vitória de Lula como especulativa" — e explicasse por que não tratou o episódio como fato relevante.

A resposta da Petrobras

No esclarecimento, a estatal confirmou que a presidente concedeu a entrevista e afirmou que, ao responder aos questionamentos, ela manifestou sua percepção de que a movimentação observada não refletia, naquele momento, os fundamentos da companhia, fazendo referência à solidez da Petrobras e de sua carteira de investimentos — informações, segundo a empresa, já amplamente divulgadas e conhecidas pelo mercado.

A afirmação da Presidente sobre a aquisição de ações foi feita de forma geral, no curso de comentário circunstancial sobre a movimentação do mercado como um todo, e buscou expressar a manutenção dos fundamentos da Companhia, verificada a partir de informações já públicas.

A companhia acrescentou que a entrevista não envolveu "divulgação de decisão, alteração de estratégia, projeção, resultado, operação ou qualquer outra informação nova e material" relacionada aos seus negócios, e que as declarações foram feitas em um contexto de forte volatilidade circunstancial, que afetou de forma generalizada os valores mobiliários de companhias listadas na B3. Com isso, entendeu que não havia ato ou fato que demandasse divulgação por meio de Fato Relevante, nos termos da Resolução CVM nº 44/2021.

O contexto do tombo

O pregão de segunda-feira (26), primeiro depois da reeleição de Lula, foi o pior do Ibovespa desde março de 2020, no início da pandemia de covid-19: o índice caiu 13,88%. As ações preferenciais da Petrobras perderam 8,18% e as ordinárias, 6,81%, enquanto outras empresas do índice chegaram a recuar mais de 50% no dia.

Na terça-feira (27), o mercado tentou uma recuperação, mas os papéis da estatal seguiram em queda, acompanhando o recuo dos preços internacionais do petróleo. Na quarta (28), o dia foi de perda outra vez, mas a Petrobras caiu bem menos que o índice: -0,46%, a R$ 52,40, contra 2,68% do Ibovespa, depois de a companhia divulgar produção recorde no terceiro trimestre.

Fonte: Petrobras (comunicado ao mercado de 27 de outubro de 2026), CVM e Investidor10.

Foto: Rodrigo Soldon, via Wikimedia Commons (CC BY 2.0).

Esta matéria tem caráter informativo e não constitui recomendação de investimento.