O Ibovespa não conseguiu reagir. Depois de derreter 13,88% na segunda-feira (26), o índice fechou esta terça-feira (27) em nova baixa, de 0,51%, aos 175.710,05 pontos — uma perda de 898,18 pontos. O dólar comercial andou para o outro lado: caiu 0,97%, a R$ 5,350, e os juros futuros encerraram com baixas por toda a curva, revertendo o movimento da véspera.
O dia começou com correção e esperança de repique, mas o humor virou ainda na parte da manhã. O que sobrou foi um mercado pessimista, ainda digerindo a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e a perspectiva de um Congresso mais hostil ao governo a partir de 2027.
A conta da véspera: quase uma Petrobras inteira
O tamanho do estrago da segunda-feira ficou mais claro com o levantamento da Elos Ayta divulgado nesta terça. O valor de mercado consolidado das empresas listadas na B3 recuou de R$ 5,684 trilhões para R$ 4,950 trilhões em um único pregão — uma perda de R$ 734 bilhões, ou 12,91%.
Para dimensionar: o valor de mercado da Petrobras é estimado em cerca de R$ 746 bilhões. Ou seja, a queda de um dia consumiu o equivalente a 98,4% da petroleira inteira.
O número também reescreveu o ano:
- Entre 2 e 23 de outubro, a bolsa havia ganhado R$ 409 bilhões, de R$ 5,275 trilhões para R$ 5,684 trilhões.
- A queda da véspera apagou integralmente esse ganho e levou o valor de mercado a um patamar R$ 325 bilhões abaixo do registrado antes do primeiro turno.