A bolsa brasileira fechou a quarta-feira (4) em alta de 1,23%, aos 167.563,47 pontos, e interrompeu uma sequência de seis sessões de perdas. O impulso veio de Wall Street, onde o apetite por risco melhorou com a vitória democrata nas eleições de meio de mandato dos Estados Unidos. Na moeda, o dólar à vista encerrou a R$ 5,4518, recuo de 0,65%, seguindo o humor externo.
O índice não subiu por conta dos pesos-pesados do petróleo. A Petrobras (PETR3; PETR4), que responde por cerca de 13,5% do Ibovespa, terminou entre as maiores baixas, com o barril em queda superior a 8% no exterior. As duas classes de ação da estatal recuaram perto de 7%, e a Brava Energia (BRAV3) liderou a ponta negativa do índice.
Bancos e minério sustentam o índice
As instituições financeiras fecharam majoritariamente em alta e deram o principal suporte ao pregão, num dia de reação aos números do Itaú (ITUB4) divulgados na véspera. O Índice Financeiro (IFNC), que reúne o setor bancário, avançou 3,18%.
A Vale (VALE3) subiu 3,49%, a R$ 62,35, acompanhando o minério de ferro na China. O contrato mais líquido da commodity, com vencimento em janeiro, ganhou 1,56% e fechou a US$ 102,23 a tonelada na Bolsa de Dalian. A mineradora, que detém 8% de participação no índice, também se beneficiou da melhora no fluxo de capital estrangeiro. Ainda assim, o papel segue longe dos R$ 70 que sustentava em setembro.
Caged fraco e Copom na véspera da decisão
No front doméstico, o Caged de setembro mostrou a abertura de 121.305 vagas formais, número abaixo do esperado pelos economistas. O resultado reforçou a leitura de que o mercado de trabalho formal começa a sentir, de forma gradual, a desaceleração da economia e o efeito dos juros elevados.
Para a reunião do Copom, as Opções de Copom da B3 na última atualização, na sexta-feira (30), indicavam 72,5% de chance de Selic inalterada em 13,75% ao ano. Havia 26% de probabilidade de corte de 0,25 ponto percentual, o que levaria a taxa a 13,5%.
A expectativa de um pronunciamento do presidente Luiz Inácio Lula da Silva marcado para domingo (8), no qual deve sinalizar um ajuste fiscal para o próximo governo, também foi lida como positiva para os ativos locais, segundo o Money Times.
O que veio de fora
A sessão brasileira seguiu o humor externo. Em Nova York, o Dow Jones subiu 3,03%, aos 53.356,12 pontos, e passou dos 53 mil pela primeira vez desde 8 de setembro, no melhor pregão diário desde 9 de abril de 2025. O S&P 500 ganhou 1,58%, aos 7.688,62 pontos, e o Nasdaq avançou 1,44%, aos 25.736,513 pontos.
"A consequência óbvia do resultado de terça-feira é que um Congresso controlado pelos democratas irá sufocar a agenda doméstica do presidente Trump em seus dois últimos anos de mandato", avaliam os estrategistas do ING.
A vitória democrata no Congresso abriu ainda a perspectiva de mudança na postura dos Estados Unidos na guerra com o Irã, ponto que pressionou o petróleo e ajudou ações ligadas a mineração e bancos. Trump afirmou à CNBC que pode trabalhar com os democratas em "muitas outras coisas que as pessoas nem imaginam", sinalização de que respeitará o resultado das urnas.
O dólar à vista devolveu parte da alta da véspera, quando havia fechado na maior cotação do ano, a R$ 5,49. O índice DXY, que compara a moeda americana a uma cesta de seis divisas, cedia 0,28% por volta das 17h, aos 101,5900 pontos.
O que observar
O Ibovespa volta ao patamar de 167 mil pontos, ainda distante dos 171 mil de 28 de outubro, antes da sequência de seis quedas. A decisão do Copom e o pronunciamento de domingo são os dois eventos que o mercado trata como capazes de definir a direção do curto prazo. Do lado externo, a trajetória do petróleo e a leitura sobre o novo Congresso americano seguem no radar.
Fonte: Money Times / Estadão Conteúdo.
Foto: Fulviusbsas, via Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0).
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