O petróleo fechou a quarta-feira (4) com queda forte. O Brent para janeiro, negociado na ICE de Londres, recuou 8,66% (US$ 8,98), a US$ 94,62 o barril, após cair 10% durante a sessão. Na Nymex, o WTI para dezembro perdeu 8,29% (US$ 7,97) e fechou a US$ 88,12.
A commodity inverteu o sinal ainda nas primeiras horas da manhã, quando o mercado passou a digerir o resultado das eleições de meio de mandato nos Estados Unidos. As perdas se intensificaram ao longo do dia e levaram o Brent para baixo de US$ 100 o barril.
O prêmio de guerra saiu do preço
A leitura dominante é que a vitória do Partido Democrata reduz as chances de uma nova escalada no conflito com o Irã. O presidente Donald Trump e o vice JD Vance afirmaram nesta quarta-feira que as derrotas republicanas refletiram o impacto político da guerra. Em publicação nas redes sociais, Vance atribuiu o resultado ao conflito no Oriente Médio. Trump seguiu a mesma linha em entrevistas. "Acho que parte disso foi o Irã", disse ele à Fox News.
Para o Swissquote Bank, o novo Congresso americano pode ampliar a fiscalização sobre a atuação do governo na guerra, com deputados e senadores contestando gastos militares e pressionando por uma saída diplomática a partir de janeiro, quando assumem os postos.
"Se, além disso, o resultado for seguido por negociações críveis e perspectivas de navegação mais segura pelo Estreito de Ormuz, os preços do petróleo poderiam cair de forma sustentável", afirmam os analistas do banco suíço.
O Rabobank mantém ceticismo sobre um acordo entre Washington e Teerã, por avaliar que há pouco terreno comum entre as partes, e considera provável uma escalada das tensões nas próximas semanas. A Kpler destaca que mudanças de rota levam tempo para virar medidas concretas, já que o governo americano ainda tem dois meses para buscar iniciativas de política externa sob a composição congressual atual.
O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmaeil Baghaei, classificou o resultado eleitoral como uma "mensagem clara" e afirmou que, se os Estados Unidos a ignorarem, as consequências "se estenderão muito além do que você já testemunhou". A Rússia, por sua vez, disse esperar que os americanos sigam trabalhando por uma resolução do conflito na Ucrânia.
Estoques e o efeito nas petroleiras brasileiras
Mais cedo, o Departamento de Energia dos Estados Unidos (DoE) informou uma queda acima do esperado nos estoques de petróleo do país. O dado, normalmente favorável ao preço, não foi suficiente para conter a realização de lucros do dia.
Na B3, o setor de óleo e gás caiu em bloco. A Brava Energia (BRAV3) liderou as perdas do Ibovespa, com queda de 9,19%, a R$ 16,01. A Prio (PRIO3), que tem 100% da produção em óleo e menor nível de hedge, apareceu entre as maiores baixas ao longo do pregão. Petrobras (PETR3) perdeu 7,64%, a R$ 53,40, e PETR4 recuou 7,08%, a R$ 47,12, no dia em que o papel foi o mais negociado da bolsa, com giro financeiro próximo de R$ 3,9 bilhões.
O caso da Prio ajuda a entender a lógica do setor: a empresa júnior é a mais exposta a preços altos do barril, enquanto Petrobras, Brava e PetroReconcavo (RECV3) têm sensibilidade menor por causa do refino, do hedge e da participação maior de gás natural na produção.
Fonte: Estadão Conteúdo / Money Times.
Foto: Quintin Soloviev, via Wikimedia Commons (CC BY 4.0).
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