A produção industrial brasileira caiu 0,8% em setembro, a quinta retração mensal consecutiva e um resultado pior que o previsto: o consenso Bloomberg apontava queda de 0,4%. Das 25 atividades pesquisadas pelo IBGE, 17 registraram recuo.

No acumulado do terceiro trimestre, o setor contraiu 2,2% na comparação com os três meses anteriores, o recuo trimestral mais acentuado desde o segundo trimestre de 2021 e suficiente para eliminar os ganhos acumulados nos últimos doze meses. O índice ajustado sazonalmente está 4,1% abaixo do pico de abril e voltou ao patamar de maio de 2024.

Sem petróleo, o quadro seria pior

A indústria de transformação encolheu 1,3% na margem e 3,8% na comparação anual. Os recuos se espalharam por derivados de petróleo (-4,2%), móveis (-3,4%), produtos farmacêuticos (-3,1%), minerais não metálicos (-2,6%) e máquinas e equipamentos (-2,1%). Açúcar (-28,6%) e etanol (-22,7%) tiveram as maiores quedas.

Do outro lado, a indústria extrativa avançou 1,7%, sustentada pela extração de petróleo (+1,0%) e de minérios (+1,1%).

“A produção industrial está em clara tendência de desaceleração e já estaria em recessão se não fosse a indústria extrativa e de derivados de petróleo que, no ano, apresentam desempenho robusto”, disse André Valério, economista sênior do Banco Inter. Segundo ele, sem as extrativas e os derivados de petróleo o recuo do mês teria sido de 1,4%, e o acumulado em 12 meses seria de queda de 0,98%, não de alta de 0,2%.

Bens de capital sinalizam investimento adiado

Os bens de capital caíram 1,9% no mês, 4,9% em relação a setembro de 2025 e 0,7% no trimestre. Como esse indicador alimenta a Formação Bruta de Capital Fixo, a leitura dos economistas é de adiamento de decisões de investimento.

Bens de consumo semiduráveis e não duráveis recuaram 1,2% no mês, 4,2% no trimestre e 6,3% na comparação anual; os bens intermediários, principal peso da estrutura industrial, caíram 0,7% no mês e 1,8% no trimestre. A exceção ficou com os bens duráveis, em alta de 0,7% no mês e 1,7% no trimestre, puxados pelo setor automotivo, cuja produção de veículos acumula avanço de 7,3% em 12 meses.