O Senado do Paraguai retoma nesta sexta-feira (6) a sessão que analisa o processo de impeachment do presidente Santiago Peña, que anunciou a renúncia ao cargo na quinta-feira (5) em meio à crise provocada pelo colapso do banco digital Ueno. Os senadores também precisam deliberar sobre a saída do mandatário: a decisão da Câmara dos Deputados de rejeitar a renúncia ainda depende de aprovação da Casa Alta do Congresso.
Os trabalhos recomeçam às 10 horas (horário local), com a apresentação da defesa de Peña ou de seus advogados. O cronograma prevê a análise de provas, as alegações finais e a votação do impeachment, esperada para o período da noite. Não há horário definido para a deliberação sobre a renúncia.
"Ainda que já tenham antecipado sua decisão, vou exercer esse direito", afirmou o presidente em pronunciamento nas redes sociais, referindo-se à defesa que pretende apresentar. Ele disse que levará argumentos e provas, e que prestar contas é uma responsabilidade diante da população paraguaia.
Cronograma de cinco sessões
A sessão começou na noite de quinta-feira, quando os senadores receberam e ouviram a acusação formal apresentada pelos deputados responsáveis pelo processo. Os trabalhos foram encerrados por volta das 21h15, pelo horário local, e o presidente do Senado fixou um cronograma de cinco sessões para cumprir as etapas do julgamento, conforme o regimento interno do Congresso.
A abertura do processo de impeachment foi aprovada por unanimidade na Câmara dos Deputados, com 78 votos favoráveis. A votação ocorreu pouco depois de Peña anunciar que deixaria a Presidência. Mesmo com a renúncia, os parlamentares decidiram encaminhar a acusação ao Senado, responsável por julgar o caso e decidir sobre a eventual destituição do presidente.
A crise do Ueno Bank
A crise política se agravou após a intervenção do Banco Central do Paraguai no Ueno Bank, instituição que enfrentava problemas de solvência e tinha vínculos com o grupo empresarial do qual Peña foi acionista até 2025. O colapso deixou milhões de clientes sem acesso às contas e provocou protestos em Assunção.
O presidente é acusado por parlamentares de conflitos de interesse, uso indevido de recursos de fundos de pensão e acobertamento institucional relacionado à crise da instituição financeira. As denúncias também estão sob investigação do Ministério Público paraguaio.
Se a saída voluntária for aceita pelo Congresso, o vice-presidente Pedro Alliana poderá assumir o comando do país, e Peña passará à condição de senador vitalício.
Foto: Presidência de Taiwan (總統府), via Wikimedia Commons (CC BY 4.0).
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