A Ambev (ABEV3) divulgou na madrugada desta quinta-feira (29) o balanço do terceiro trimestre de 2026, com lucro líquido de R$ 4,366 bilhões — recuo de 10,2% sobre os R$ 4,863 bilhões de um ano antes, mas acima da estimativa de R$ 3,9 bilhões dos analistas consultados pela IBES. Na mesma reunião, o conselho de administração aprovou um programa de recompra de até 190 milhões de ações ordinárias, a ser executado nos próximos 18 meses.
O recuo do lucro reportado não vem da operação: reflete a ausência dos efeitos tributários não recorrentes registrados em 2025, incluindo os ligados ao desinvestimento em Barbados. Ajustado por esses fatores, o lucro líquido foi de R$ 4,393 bilhões, alta de 14,3%.
Receita e margem avançam
A receita líquida orgânica cresceu 7,6%, para R$ 21,595 bilhões, sustentada por um aumento de 6,8% da receita líquida por hectolitro e pelo desempenho de volume. O Ebitda orgânico ajustado somou R$ 7,271 bilhões, alta de 8,9% na base anual, com margem de 33,7% — 0,4 ponto percentual acima do mesmo trimestre de 2025.
Os volumes globais andaram de lado, em 42,385 milhões de hectolitros, queda de 0,1% no critério reportado e alta de 0,8% na base orgânica. A receita líquida subiu em todas as operações:
- LAS2 (América Latina ao sul) +21,4%.
- CAC (América Central e Caribe) +8,1%.
- NAB Brasil (não alcoólicos) +6,3%.
- Cerveja Brasil +4,8%.
- Canadá +1,2%.
O volume de cerveja no Brasil cresceu 0,5%. A companhia tem apontado o clima mais frio em regiões importantes de consumo, sobretudo no Sudeste, como um dos desafios do período — cenário que o Itaú BBA já havia antecipado em prévia publicada em 5 de outubro, quando projetou lucro de R$ 3,8 bilhões e Ebitda de R$ 7,4 bilhões, com recomendação neutra e preço-alvo de R$ 17 para o fim de 2027.
Caixa melhora e recompra entra na mesa
O fluxo de caixa das atividades operacionais foi de aproximadamente R$ 7,7 bilhões, cerca de R$ 759 milhões acima do registrado um ano antes, impulsionado pelo crescimento do Ebitda ajustado e pela melhora na dinâmica de capital de giro.
A recompra de até 190 milhões de ações ordinárias é o sinal mais direto da leitura da administração sobre o preço do papel. Programas desse tipo reduzem o número de ações em circulação e tendem a elevar o lucro por ação ao longo do tempo, mas dependem da execução e do preço médio praticado.
O que observar daqui para frente
- Preço da bebida: o avanço de 6,8% da receita por hectolitro mostra que a companhia segue repassando preço; a pergunta é até onde o consumidor absorve.
- Clima: o volume depende do tempo no verão, e o Sudeste é o mercado mais sensível.
- Marcas premium e novas ocasiões de consumo: são a aposta da indústria para compensar volumes estagnados.
- Recompras e proventos: o mercado vai acompanhar a velocidade do novo programa e a política de dividendos no restante do ano.
Com o resultado acima do consenso, o balanço entra na temporada do 3T26 como um dos poucos do setor de consumo a entregar lucro melhor do que o esperado, em uma semana marcada por revisões de casas de análise para bancos e empresas brasileiras após a eleição.
Fonte: Valor Econômico e InfoMoney (29 de outubro de 2026).
Foto: Vitorperrut555, via Wikimedia Commons (CC BY 4.0).
Esta matéria tem caráter informativo e não constitui recomendação de investimento.