Clientes brasileiros da Binance estão temporariamente impedidos de sacar criptomoedas da plataforma. A maior corretora de criptoativos do mundo comunicou a suspensão na sexta-feira (30), um dia depois do ataque hacker que atingiu sua operação global e comprometeu cerca de US$ 6,3 bilhões. Segundo a empresa, a medida é preventiva e vale enquanto a equipe conclui as verificações de segurança — não há data definida para a normalização dos saques.

As demais funções da plataforma seguem operando normalmente, e a Binance afirma que os fundos dos usuários no país não correm risco. A informação foi divulgada inicialmente pelo BeInCrypto Brasil.

Retomada prevista para domingo

O co-CEO da Binance, Richard Teng, afirmou na sexta-feira que a exchange espera retomar os saques até domingo, dentro de aproximadamente 30 horas, e que está revisando seus sistemas de nuvem e de segurança após a investigação interna sobre o ataque.

A Binance reservou mais de US$ 6,34 bilhões, incluindo US$ 5 bilhões já mantidos nas criptomoedas afetadas.
Richard Teng, co-CEO da Binance, em publicação no X
Os ativos restantes estão sendo adquiridos por meio de exchanges e mercados de balcão (OTC).
Richard Teng, co-CEO da Binance

A diferença entre o valor bloqueado e o total do prejuízo está sendo coberta com recursos próprios da companhia, segundo o executivo, e com o SAFU, o fundo de emergência que a corretora mantém para situações como essa.

O que a empresa diz sobre o dinheiro dos brasileiros

O comunicado foi divulgado pela BBrasil SPSAV Ltda., o braço da Binance que atende os clientes no Brasil. De acordo com a empresa:

  • os criptoativos dos usuários ficam guardados em cold wallets, carteiras sem conexão com a internet e, por isso, menos vulneráveis a invasões;
  • a exchange afirma cumprir as regras de segregação patrimonial exigidas pelo Banco Central, pelas quais os ativos dos clientes precisam ser mantidos separados do patrimônio da própria instituição;
  • a suspensão é temporária e restrita aos saques de criptomoedas — depósitos, negociação e conversão em reais seguem disponíveis.

Na prática, a segregação é o que, em tese, protege o investidor caso a empresa enfrente problemas financeiros: os ativos não podem ser usados para pagar credores da própria corretora.

Como o ataque aconteceu

A invasão à Binance Global ocorreu na quinta-feira (29) e comprometeu aproximadamente US$ 6,3 bilhões em moedas e tokens — o maior roubo já registrado no mercado cripto. Desse total, cerca de US$ 3 bilhões em ativos digitais já foram congelados, segundo a exchange.

Segundo Teng, a investigação identificou violações de segurança adicionais, além de um laptop de funcionário comprometido, que era a suspeita inicial. Os supostos hackers teriam usado um mecanismo de autodestruição para apagar evidências e explorado o recurso de delegação de contas EIP-7702, da rede Ethereum, para assumir o controle de uma carteira sem passar pelos procedimentos normais de aprovação da Binance.

O executivo afirmou ainda que o ataque teve como alvo a própria carteira quente da Binance — as carteiras conectadas à internet, usadas no dia a dia da operação —, e não os fundos dos clientes.

Um problema no pior momento para a operação brasileira

O episódio ocorre em um momento especialmente sensível para os negócios da corretora no país. A BBrasil SPSAV é a entidade pela qual a Binance pediu licença ao Banco Central para atuar como prestadora de serviços de ativos virtuais, dentro do prazo regulatório que se encerrou na mesma sexta-feira (30).

A autorização faz parte da nova regra do BC para o setor, que passou a exigir que as corretoras de cripto atuem como instituições autorizadas, com requisitos de capital, governança e segregação de ativos. O desfecho do pedido da Binance não havia sido divulgado até a manhã deste sábado.

Para o investidor brasileiro com recursos na plataforma, o que está em jogo neste momento não é o preço dos criptoativos, e sim o acesso: enquanto os saques estiverem suspensos, os ativos permanecem na corretora, ainda que a empresa afirme que estão em carteiras offline. Quem deseja reduzir exposição a uma única instituição costuma usar justamente o saque para transferir os ativos a uma carteira própria — operação que, hoje, está indisponível para o cliente brasileiro.

Fonte: BeInCrypto Brasil e Money Times/Estadão Conteúdo, com informações da Binance (30 e 31 de outubro de 2026).

Foto: BalticServers.com, via Wikimedia Commons (CC BY-SA 3.0).

Esta matéria tem caráter informativo e não constitui recomendação de investimento.