A C&A (CEAB3) reportou lucro líquido de R$ 170,2 milhões no terceiro trimestre de 2026, alta de 145,1% sobre os R$ 69,5 milhões de um ano antes. O número contábil foi inflado por R$ 176 milhões em outras receitas operacionais, ligadas ao reconhecimento de créditos fiscais de PIS e Cofins. Na base ajustada, o lucro ficou em R$ 56,5 milhões, 23,3% abaixo do mesmo trimestre de 2025.

A ação subiu 9,25% nesta quinta-feira (5), a R$ 7,44, no dia em que o Ibovespa caiu 0,82%.

Duas bases de lucro no mesmo balanço

A diferença entre os dois números não é erro de cálculo nem mudança de critério: são bases distintas no mesmo release. O lucro contábil (IFRS) incorpora os créditos tributários reconhecidos no trimestre. O lucro ajustado exclui esses efeitos e tenta mostrar o resultado recorrente da operação.

Para o investidor, o ajustado é a base mais útil para comparar com o consenso. E aí a leitura muda de sinal: analistas consultados pela LSEG projetavam R$ 45,5 milhões, e o resultado ficou 24,2% acima. O mesmo acontece no Ebitda ajustado, de R$ 317,6 milhões — queda de 4,7% em um ano, mas 20% acima dos R$ 264,7 milhões esperados.

Receita, margem e C&A Pay

A receita líquida somou R$ 1,88 bilhão, avanço de 2,3% sobre o terceiro trimestre de 2025. Só o vestuário faturou R$ 1,69 bilhão, alta de 2,6%. O braço financeiro rendeu R$ 87,2 milhões em serviços, excluindo a taxa de comissionamento que o C&A Pay recebe da C&A Modas, melhora de 32,2%.

As despesas operacionais totais caíram 20,1%, para R$ 524,5 milhões. O resultado financeiro ficou negativo em R$ 56,9 milhões, o que ainda representa melhora de 21,5% na comparação anual.

Vendas em mesmas lojas quase estáveis

As vendas em mesmas lojas (SSS) da operação de vestuário cresceram 1%, contra 8,1% um ano antes. O indicador considera apenas lojas abertas há pelo menos um ano e serve de termômetro do varejo porque exclui o efeito de inaugurações. Na visão do JPMorgan, as SSS consolidadas ficaram praticamente estáveis, acima da estimativa do banco, que previa queda de 0,6%.

A companhia atribuiu o desempenho a um trimestre de dinâmicas distintas. Na primeira metade, persistia a queda de fluxo herdada do segundo trimestre, associada à Copa do Mundo. O movimento melhorou ao longo dos meses e atingiu ponto de inflexão em meados de setembro, com a chegada da coleção de verão. O período também concentrou 18 reformas em andamento em lojas importantes.

O que os analistas destacaram

O JPMorgan calculou lucro por ação ajustado de R$ 0,18, acima da própria estimativa (R$ 0,15) e do consenso (R$ 0,13), ainda que 19% menor em um ano. O banco viu o Ebitda pressionado por despesas de marketing e alavancagem operacional negativa, enquanto o C&A Pay foi a principal surpresa positiva, sustentada pela qualidade do crédito.

Já o Goldman Sachs apontou avanço de 60 pontos-base na margem bruta do vestuário, com o SG&A pressionado em 140 pontos-base pelos investimentos em marketing. Na avaliação do BBI, o trimestre foi positivo, com resiliência operacional e forte geração de caixa; o banco lembrou que o valuation embute bastante pessimismo para um 2027 desafiador no setor.

O movimento foi generalizado no varejo: GPA (PCAR3) subiu 3,91%, a R$ 2,39, e SmartFit (SMFT3) ganhou 5,48%, a R$ 17,71. Na outra ponta, Méliuz (CASH3) caiu 9,01%, a R$ 3,94.

Foto: Róger Randerson Alves Raimundo, via Wikimedia Commons (CC BY 2.0).

Este conteúdo tem caráter informativo e educacional. Não constitui recomendação de compra ou venda de ativos. Decisões de investimento são responsabilidade do leitor.