O Ibovespa fechou a quinta-feira (5) em queda de 0,82%, aos 166.191,45 pontos, 1.372,02 pontos abaixo da abertura. O giro somou R$ 34,40 bilhões, com mínima de 166.189,74 e máxima de 168.994,33 pontos. Já o dólar comercial subiu 0,67%, a R$ 5,489, depois de oscilar entre R$ 5,427 e R$ 5,495.

Foram dois os motivos para o recuo. Em Brasília, a reunião do presidente Luiz Inácio Lula da Silva com ministros e economistas terminou sem anúncio de medidas fiscais. Em Nova York, os índices apagaram o rali da véspera e caíram mais de 2%, com o Nasdaq perdendo 5,52%.

Fiscal: a resposta fica para depois da viagem

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, falou com jornalistas depois do encontro no Alvorada e disse que a reunião não tratou de medidas específicas. Segundo ele, as propostas serão apresentadas depois que Lula voltar da viagem internacional da próxima semana.

"Não há fórmula mágica. A economia passa por desafios", afirmou Durigan, que acrescentou: "O resultado primário do país vai ser melhor a cada ano pelos próximos quatro anos."

A leitura do mercado foi de que o governo não tem pressa. O economista-chefe do Santander Brasil, Marco Caruso, estimou que, sem reformas fiscais, o Brasil cresce menos de 1,3% em 2027 e fica na lanterna da América Latina. A Folha de S.Paulo noticiou que a equipe econômica estuda endurecer o arcabouço, de modo que bloqueios feitos durante a execução do Orçamento tenham efeito permanente sobre os gastos.

Copom interrompe o ciclo de cortes

Na noite de quarta-feira (4), o Copom manteve a Selic em 13,75% e interrompeu cinco cortes consecutivos. No comunicado, o comitê citou a aceleração da inflação e dos núcleos e retirou o trecho sobre a magnitude total do ciclo de calibração, o que analistas leram como sinal de que a queda dos juros parou, ao menos por ora.

Os juros futuros fecharam com baixas em quase toda a curva:

  • DI1F27: 13,658%, alta de 0,042 ponto
  • DI1F28: 14,310%, queda de 0,080 ponto
  • DI1F29: 14,680%, queda de 0,105 ponto
  • DI1F31: 14,935%, queda de 0,055 ponto
  • DI1F33: 15,025%, queda de 0,035 ponto
  • DI1F35: 15,010%, queda de 0,030 ponto

A produção industrial recuou 0,8% em setembro e reforçou o alerta sobre o ritmo da economia no encerramento do terceiro trimestre.

Wall Street devolve o rali

O Dow Jones terminou em 51.521,28 pontos (-3,44%), o S&P 500 em 7.353,80 (-4,36%) e o Nasdaq em 24.314,99 (-5,52%). Ações de chips e de data centers lideraram as perdas, um dia depois de a vitória democrata nas eleições de meio de mandato ter empurrado o mercado para cima. O VIX, conhecido como índice do medo, chegou a subir mais de 65% durante a sessão.

"Investidores em Wall Street estão se afastando até que tenham uma melhor compreensão das implicações das eleições de meio de mandato, especialmente no que diz respeito ao ciclo de investimentos em IA, que é o maior impulso econômico que tivemos nos últimos três anos", disse à CNBC Tim Holland, diretor de investimentos da Orion.

O petróleo subiu com força e pressionou o humor: o Brent com vencimento em dezembro fechou a US$ 98,29 (+3,88%) e o WTI a US$ 90,52 (+2,72%), ainda perto do menor nível em dois meses. O Banco da Inglaterra elevou os juros pela primeira vez desde 2023 e sinalizou que pode ir além. No México, o banco central cortou a taxa em 0,25 ponto, para 6,25%, contrariando a expectativa de manutenção.

Balanços mexem com as ações

Porto Seguro (PSSA3) caiu 2,63% mesmo com lucro acima do esperado. SmartFit (SMFT3) ganhou 5,48%, Axia Energia (AXIA3) subiu 0,23% após reverter prejuízo de um ano antes e a C&A (CEAB3) avançou 9,25%, o destaque de alta do pregão. Vale (VALE3) subiu 0,51%; Petrobras (PETR4) recuou 2,48%, apesar da alta do petróleo. Embraer (EMBJ3) perdeu 4,96%, a R$ 101,51.

Nos bancos, Bradesco (BBDC4) caiu 2,06%, Itaú (ITUB4) ganhou 0,65%, Santander (SANB11) subiu 0,50% e BB (BBAS3) ficou estável.

O que fica para sexta

O IFIX subiu 1,22%, a 3.602,02 pontos, e o índice de small caps caiu 0,45%, a 1.915,79 pontos. Na semana, o Ibovespa acumula -1,03%; no mês, -1,03%; no quarto trimestre, -10,81%; no ano, +3,14%.

Sexta-feira traz o payroll americano e a taxa de desemprego dos Estados Unidos, além da produção industrial alemã de setembro e das vendas no varejo da zona do euro.

Foto: Wilfredor, via Wikimedia Commons (CC0).

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