O rali de um dia em Wall Street não sobreviveu à quinta-feira. O S&P 500 chegou a recuar 3,8% no pregão de 5 de novembro, e a Nasdaq Composite caía 4,2%, no menor nível desde 29 de julho, com a pressão concentrada em semicondutores, empresas de data center e o restante da cadeia de inteligência artificial. Na véspera, o mesmo índice amplo havia subido 1,6%, o melhor desempenho diário em três meses, e o Dow Jones avançara mais de 1.500 pontos, para 53.361 pontos.
A reviravolta recolocou no radar dos operadores um mecanismo que raramente aparece no noticiário: o circuit breaker, o freio automático que suspende as negociações em todas as bolsas americanas quando a queda passa de um limite.
O nível que dispara o freio
A primeira faixa de interrupção é acionada quando o S&P 500 perde 7% em relação ao fechamento anterior. Para a sessão de quinta, isso correspondia a 7.150,41 pontos. Se o índice tocasse esse nível antes das 15h25 de Nova York, o mercado acionário americano pararia por 15 minutos. A bolsa dos EUA trabalha com três faixas de emergência, e a primeira é a mais distante: no momento em que a queda era de 3,8%, ainda faltavam 3,2 pontos percentuais para chegar lá.
Na véspera, Donald Trump comemorou no Truth Social: "O mercado de ações acaba de atingir outro recorde — 91 dias em um curto período, menos de dois anos. Suas previdências estão pelo teto". A mensagem terminava com "Record Setting All! President DONALD J. TRUMP". Menos de 24 horas depois, a queda apagou em uma sessão o ganho acumulado no dia anterior.
Tecnologia no centro da venda
Os democratas venceram as eleições de meio de mandato e passaram a controlar Câmara e Senado, o que na quarta foi lido como gridlock favorável aos negócios e ajudou a empurrar as bolsas para cima. Na quinta, a leitura mudou de direção: um Congresso oposicionista tende a olhar com lupa para os gastos das grandes empresas de tecnologia com inteligência artificial, justamente o motor dos lucros que sustentou o rali dos últimos meses.