A Chainalysis, empresa que vive de rastrear criminosos no mercado de criptomoedas, avisou seus clientes na sexta-feira (30) que sofreu uma invasão em seus sistemas e ferramentas internas. Segundo o comunicado publicado pela companhia em seu próprio blog, um atacante não identificado usou "técnicas ofensivas de agentes" — ferramentas de inteligência artificial capazes de planejar e executar tarefas de forma autônoma — para alcançar dados de usuários da plataforma.

O episódio acontece na mesma semana do ataque à Binance, que a Chainalysis ajuda a investigar, e tem uma ironia incômoda: a empresa vende justamente a bancos, exchanges e governos a capacidade de identificar quem está por trás de transações ilícitas. As duas ocorrências, segundo a companhia, não têm relação entre si.

O que o invasor levou

De acordo com a empresa, foram acessados IDs de usuários, nomes completos, endereços de e-mail e cargos dentro das organizações cadastradas na plataforma. A Chainalysis diz ter começado a avisar individualmente cada cliente afetado e que trabalha para detalhar quais registros de cada organização foram expostos.

A companhia afirma que, até o momento, não encontrou indícios de acesso a:

  • conteúdos de investigação, como gráficos, anotações e casos;
  • resultados de transações ou de consultas feitas na plataforma;
  • senhas em texto claro, códigos de autenticação em dois fatores (MFA) e tokens de sessão.

Por isso, a empresa classifica o material obtido como "não sensível" e diz ter contratado especialistas externos em segurança, além de usar modelos avançados de linguagem para caçar vulnerabilidades em seus próprios sistemas.