O dólar comercial fechou esta segunda-feira (26) a R$ 5,403, com alta de 8,21% — a quinta maior valorização diária da moeda americana desde a implantação do Plano Real, em junho de 1994, segundo levantamento da Elos Ayta. Durante a sessão, chegou a subir mais de 12%.

A maior alta da série ocorreu em 15 de janeiro de 1999, quando a moeda avançou 11,10% em um único dia, em meio ao abandono do sistema de bandas cambiais pelo Banco Central e à adoção do regime de câmbio flutuante.

O que a história mostra

A crise cambial de janeiro de 1999 concentra quatro das dez maiores valorizações, todas em um intervalo de dez pregões: além dos 11,10% do dia 15, o dólar subiu 8,91% no dia 13, 6,61% no dia 26 e 5,51% em 21 de janeiro.

A crise financeira de 2008 também aparece quatro vezes no levantamento. A maior valorização daquele ano foi em 8 de outubro, com alta de 9,33%, seguida por 7,79% em 22 de outubro, 5,98% em 6 de outubro e 5,41% em 29 de setembro — movimento ligado à quebra do Lehman Brothers e à corrida por dólares.

Fora desses dois episódios, apenas duas datas aparecem entre as dez maiores: 18 de maio de 2017, com alta de 8,79% em meio à crise política envolvendo o então presidente Michel Temer, e 16 de agosto de 2007, com 5,39%, na turbulência do crédito subprime.

A leitura

O padrão histórico é claro: saltos dessa magnitude não vêm de fundamentos graduais, e sim de choques de expectativa. Em 1999 e 2008, foram crises de confiança no regime cambial e no sistema financeiro; em 2017, uma crise política. Desta vez, o gatilho foi a reprecificação do risco fiscal após o resultado eleitoral.

Imagem: InfoMoney.

Esta matéria tem caráter informativo e não constitui recomendação de investimento.