As ações ligadas a commodities podem assumir o protagonismo da bolsa brasileira após a vitória de Lula, na avaliação do JPMorgan. Em relatório divulgado nesta segunda-feira (26), o banco afirma que o desempenho mais fraco do mercado doméstico tende a favorecer empresas com receitas dolarizadas e maior exposição ao cenário internacional, sobretudo diante da expectativa de desvalorização do real.

Segundo os estrategistas liderados por Rodolfo Angele, o setor de materiais básicos deve superar o desempenho do mercado em geral no novo cenário político. A avaliação é de que uma moeda brasileira mais fraca beneficia diretamente exportadoras de commodities, impulsionando geração de caixa, rentabilidade e valor para o acionista.

O banco mantém recomendação overweight (exposição acima da média) para Suzano (SUZB3), Vale (VALE3) e Gerdau (GGBR4).

Os alvos por ação

| Empresa | Preço-alvo (dez/2027) | Fechamento de sexta (23) | |---|---|---| | Suzano (SUZB3) | R$ 65,50 | R$ 43,06 | | Vale (VALE3) | R$ 112,00 | R$ 61,90 | | Gerdau (GGBR4) | R$ 35,00 | R$ 25,22 |

Suzano segue como a principal escolha. O banco espera preços mais altos de celulose em 2026 e 2027, além de maior volume com a entrada em operação do Projeto Cerrado; a redução dos investimentos após a conclusão do projeto deve fortalecer a geração de caixa livre, que pode superar 15% em cenários de maior desvalorização do real.

Vale: o JPMorgan vê desconexão entre fundamentos e preço. A resolução do acordo envolvendo Mariana eliminou uma das principais incertezas, e o banco acredita que o mercado ainda não refletiu esses avanços na cotação. Os riscos da tese seguem sendo oscilações do minério de ferro e interrupções de produção.

Gerdau: a forte presença na América do Norte diferencia a companhia dos concorrentes brasileiros. Medidas protecionistas nos Estados Unidos, incluindo tarifas sobre aço importado, têm sustentado preços mais altos e fortalecido a demanda local.

O que isso significa na prática