A HBR Realty (HBRE3) adquiriu 111,3 milhões de ações ordinárias da Helbor (HBOR3), equivalentes a 83,16% do capital social da incorporadora, ao preço final de R$ 2,73 por papel. A operação, concluída em leilão na quarta-feira (28) na B3, abre caminho para a saída da Helbor do Novo Mercado e para o cancelamento de seu registro de companhia aberta na categoria A.

O pagamento será feito mediante a entrega de 90,8 milhões de ações emitidas pela própria HBR Realty, sem desembolso de caixa. Segundo a companhia, foram atingidos os requisitos de quantidade mínima e o quórum necessários para o cancelamento do registro.

Como ficou a oferta

A oferta foi anunciada em 3 de julho e fixou R$ 2,52 por ação da Helbor, paga inteiramente em papéis da HBR, com relação de troca definida pela média das cotações dos 90 pregões anteriores (0,8155 ação da HBR por papel da Helbor). O preço final apurado no leilão foi de R$ 2,73, segundo o InfoMoney.

Mais de dois terços do *free float* aceitaram a troca, segundo fontes próximas à operação ouvidas pelo NeoFeed. Somadas às ações da família Borenstein, controladora das duas companhias, as vendas superaram 80% do capital total da incorporadora. A base de minoritários era concentrada em investidores de varejo e pequenas gestoras, e o BTG Pactual intermediou a operação.

Considerando 80% do valor de face que estavam sendo oferecidos por ação da Helbor, a operação soma pelo menos R$ 267 milhões. Com a liquidação, prevista para 9 de novembro, a Helbor deixa o Novo Mercado e passa a ser subsidiária da HBR.

O que muda para o acionista minoritário

Quem não participou do leilão ainda tem alternativas:

  1. Vender as ações à HBR entre 29 de outubro e 28 de novembro de 2026, conforme comunicado da companhia.
  2. Permanecer como acionista e receber, na conversão, 0,81553 ação da HBR por papel da Helbor — ou seja, cada bloco de 1.000 ações da Helbor equivale a 815,53 ações da HBR.
  3. Encerrar a exposição: depois da liquidação, os papéis da Helbor deixam de ser negociados na B3, e o investidor que ficar passa a ter risco de HBR, empresa de perfil diferente.

A tese por trás da fusão

A operação junta sob o mesmo teto duas companhias de perfis complementares: a HBR, voltada à renda recorrente com shoppings e lajes corporativas, e a Helbor, uma incorporadora residencial. Segundo a HBR, a combinação reduz a exposição aos ciclos da incorporação e dá acesso a um banco de terrenos concentrado em mais de 80% na cidade de São Paulo.

A companhia também espera capturar sinergias com o corte de despesas gerais e administrativas e com o fim dos custos de manter a Helbor listada.

"Com a conclusão da operação, os acionistas da empresa continuarão investindo no grupo e participarão de uma base de resultados mais ampla e robusta." — Alexandre Nakano, CEO da HBR

O preço da saída da Bolsa

A adesão veio apesar do desgaste do papel: as ações da Helbor chegaram a cair mais de 20% após o anúncio da oferta, em julho, e o valor de mercado da companhia recuou mais de 40% desde o começo do ano, segundo o Investidor10.

O que observar

A agenda do investidor minoritário agora tem duas datas: 9 de novembro, quando a liquidação da operação é concluída, e 28 de novembro, último dia para aderir à venda das ações remanescentes à HBR. Depois disso, a Helbor segue existindo como empresa, mas não como ação listada.

Vale lembrar por que a operação saiu: o anúncio da oferta, em julho, derrubou o papel e levantou dúvidas sobre o preço de troca — na prática, o minoritário foi convidado a aceitar uma relação de troca calculada pela média de 90 pregões anteriores, em um momento de forte desvalorização da incorporadora. Os mais de dois terços de adesão sobre o *free float* indicam que a maioria preferiu o papel da HBR a continuar exposta à Helbor sem liquidez.

Do ponto de vista do grupo, a fusão também é uma forma de reduzir custos de estrutura: a HBR passa a incorporar o resultado da Helbor sem manter uma companhia aberta separada, com as despesas de conselho, auditoria, relação com investidores e listagem que isso implica. A contrapartida para quem fica é de perfil: o investidor deixa de ter uma incorporadora cíclica e passa a ter exposição a uma empresa de renda recorrente — com risco, retorno e dividendos diferentes.

Foto: Kaique Rocha, via Wikimedia Commons (CC0).

Esta matéria tem caráter informativo e não constitui recomendação de investimento.